A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) expressou preocupação com a crescente popularidade dos medicamentos para emagrecimento, especialmente entre a população das Américas. Em um apelo recente, a agência vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS) destacou a necessidade de reforçar o monitoramento do uso desses medicamentos e de garantir que sejam aplicados de maneira segura e adequada.
Medicamentos sob Vigilância
Os medicamentos como Mounjaro e Ozempic, que pertencem à classe dos agonistas do receptor GLP-1, atuam na regulação do apetite e do metabolismo. A Opas alertou para um aumento nos relatos de eventos adversos associados ao uso indevido dessas substâncias.

A obesidade mundial quase triplicou desde 1975
Efeitos Adversos e Preocupações Reguladoras
Um alerta epidemiológico divulgado em 27 de fevereiro informou que diversos países têm relataram eventos adversos de diferentes gravidades. O uso impróprio de agonistas do receptor GLP-1, como semaglutida e liraglutida, pode levar a efeitos colaterais, sendo os mais comuns de natureza gastrointestinal e geralmente passageiros. Porém, eventos mais sérios, como pancreatite aguda e obstrução intestinal, também foram registrados.
Venda Irregular e Riscos de Produtos Falsificados
A Opas ressaltou que a demanda crescente por estes medicamentos pode levar à comercialização através de canais não regulados, como a internet e redes sociais, aumentando o risco de acesso a produtos falsificados ou de qualidade inferior. Autoridades reguladoras já emitiram avisos sobre o uso não autorizado e a presença de medicamentos falsificados na região.
O uso desses medicamentos unicamente para fins estéticos, sem avaliação clínica adequada, pode expor os indivíduos a riscos desnecessários e desviar recursos de pacientes que realmente precisam do tratamento.

Demanda crescente por esses medicamentos para emagrecer pode incentivar a comercialização por canais não oficiais, incluindo internet e redes sociais.
Uso Responsável e Acompanhamento Médico
Esses medicamentos, que mimetizam hormônios intestinais, são eficazes para aumentar a saciedade e manter a glicemia controlada, mas devem ser usados somente para as indicações aprovadas dentro de um plano de tratamento estruturado e monitorado. A obesidade é uma condição crônica que exige uma abordagem abrangente, e a Opas destaca a importância do uso seguro dentro de modelos de cuidado multidisciplinares, levando em conta as comorbidades e o perfil clínico de cada paciente.
A OMS lançou orientações globais sobre esses medicamentos, recomendando que eles sejam utilizados em adultos com diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares ou renais crônicas. O uso em pessoas com obesidade sem diabetes tipo 2 ainda não é recomendado.
A Opas também enfatiza que a prescrição e o acompanhamento médico são fundamentais para garantir a segurança e a eficácia do tratamento, destacando a necessidade de que os agonistas GLP-1 sejam utilizados somente com supervisão profissional.
