Em um avanço significativo para pacientes com lesões na medula espinhal, João Luiz Miquelini, morador de Colombo, se tornou o primeiro paciente a receber a polilaminina no Hospital do Trabalhador (HT) em Curitiba. Miquelini, de 70 anos, havia sofrido uma queda de aproximadamente 3 metros em dezembro de 2025, resultando em fraturas na coluna e perda de movimentos abaixo da cintura. O Paraná já contabiliza sete aplicações dessa substância, enquanto o Brasil soma um total de 30 aplicações.
O Que É a Polilaminina?
A polilaminina é um produto experimental derivado da laminina, uma proteína encontrada na placenta. Seu objetivo é regenerar nervos danificados após lesões na medula espinhal, funcionando como uma estrutura que facilita o crescimento e a reconexão neural. Apesar de representar uma esperança para pessoas com paralisia, a polilaminina ainda está em fase de pesquisa clínica e não possui a aprovação final da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso generalizado.
Esperança e Expectativa
Para João, a polilaminina representa a esperança de recuperar os movimentos das pernas. No hospital, ele declarou: “São 80 dias assim. A esperança se renova e é grande. Agora é ir para a fisioterapia e ficar bom logo.” Sua filha, Viviane Miquelini, também expressou otimismo: “Fico imaginando para ele, a esperança de poder voltar a ter os movimentos, a andar.”
Processo de Aplicação
A aplicação do medicamento, que se enquadra no Programa de Uso Compassivo da Anvisa, pode ser realizada até 90 dias após a lesão. Esse programa permite que pacientes com doenças graves acessem tratamentos não registrados que possam oferecer benefícios terapêuticos. O médico e pesquisador Arthur Luiz Freitas Forte explicou que os pacientes devem assinar um termo de consentimento, cientes dos riscos, antes de receber a medicação, cujo uso é autorizado por uma comissão de segurança da Anvisa.
O neurocirurgião João Elias Ferreira El Sarraf, um dos quatro médicos capacitados no Brasil para realizar a aplicação, detalhou o procedimento. “A medicação é aplicada sobre a lesão medular em centro cirúrgico, com sedação e anestesia local. É como se fosse uma desconexão; a polilaminina atua ‘unindo’ os pontos desconectados,” afirmou.
Apoio do Governo do Paraná
O governador Carlos Massa Ratinho Junior e outros médicos pesquisadores discutiram a iniciativa no Palácio Iguaçu. Durante a reunião, foram apresentados os resultados de pesquisas que visam iniciar a fase 1 na Anvisa. O governador se ofereceu para fornecer apoio logístico para o transporte do medicamento e dos pacientes.
“Colocamos toda a rede de saúde do Estado à disposição, da organização do transporte da polilaminina ao treinamento de médicos para aplicação”, destacou Ratinho Junior. O médico Mitter Mayer enfatizou a importância de uma aplicação rápida, idealmente dentro de três dias após a lesão, e a colaboração do setor público na logística do tratamento.
Importância da Fisioterapia
O secretário de Saúde, Beto Preto, ressaltou que esse avanço científico é crucial para tratar lesões graves que podem resultar em paraplegia. Ele também anunciou que o Hospital de Reabilitação estaria disponível para auxiliar os pacientes em recuperação. “Além dessa descoberta, a fisioterapia é essencial para garantir a possibilidade de retomada dos movimentos,” acrescentou.
Pesquisa em Andamento
A polilaminina, desenvolvida por pesquisadores da UFRJ e apoiada pelo Laboratório Cristália, continua em fase de estudos, aguardando a aprovação da Anvisa para a fase 1. A pesquisa, liderada pela doutora Tatiana Coelho de Sampaio, começou há mais de 25 anos e visa reorganizar o tecido nervoso e estimular a regeneração de neurônios. Estudos preliminares mostram resultados promissores, mas a validação de sua eficácia e segurança ainda requer tempo e mais pesquisa.
