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Operação que resultou na morte de El Mencho, chefe de cartel no México

A prisão de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), foi possível graças à localização de um colaborador próximo de uma de suas namoradas. O narcotraficante é um dos mais procurados internacionalmente e sua morte gerou um forte impacto no México.

Com o apoio de informações de inteligência dos Estados Unidos, as forças armadas mexicanas localizaram El Mencho em um povoado do estado de Jalisco, onde construiu seu império. Durante uma operação no dia 22 de fevereiro, ele foi morto, o que desencadeou uma onda de violência em várias regiões do país.

Reação ao crime

A morte de El Mencho resultou em represálias violentas que deixaram dezenas de mortos, com bloqueios de estradas, carros queimados e ataques a prédios públicos.

Na manhã seguinte, a presidenta Cláudia Sheinbaum anunciou que o México acordou sem novos distúrbios. Durante a coletiva de imprensa, ela assegurou que o país estaria “em paz”.

Ônibus queimado no México após a morte de El Mencho.
Ônibus queimado, enquanto membros da Guarda Nacional patrulham rodovias no México. – REUTERS/Paola Garcia – Proibido reprodução

“Nossos pêsames às famílias dos militares que perderam suas vidas. O povo do México pode se orgulhar de nossas Forças Armadas”, disse Trevilla.

O impacto da violência

O governo mexicano registrou 252 bloqueios em 20 estados, resultando na morte de 27 agentes de segurança e 30 suspeitos envolvidos nas ações violentas.

O Cartel Jalisco, que emergiu a partir de 2010, é um dos mais poderosos do país e tem como principal rival o Cartel de Sinaloa. Essa rivalidade é apontada como uma das causas da recente escalada de violência.

A operação militar

O sucesso da operação foi atribuído ao serviço de inteligência militar, que localizou um colaborador próximo de El Mencho, facilitando sua captura.

Segundo o general Ricardo Trevilla, a operação envolveu forças especiais do Exército, da Aeronáutica e da Guarda Nacional, além de aeronaves. Quando cercado, El Mencho conseguiu fugir, mas foi posteriormente localizado e gravemente ferido durante um tiroteio subsequente.

Militares patrulham o Aeroporto Internacional Benito Juarez.
Forças armadas mexicanas patrulham o Aeroporto Internacional Benito Juarez após a morte de El Mencho. – REUTERS/Luis Cortes – Proibido reprodução

Após o confronto, El Mencho não resistiu aos ferimentos e faleceu durante o transporte para um hospital. A operação também resultou em 15 mortes entre os integrantes do cartel e ferimentos em três militares.

Colaboração internacional

A porta-voz da Casa Branca destacou a importância da colaboração entre os EUA e o México, enfatizando que El Mencho era um alvo prioritário devido ao tráfico de fentanil.

No entanto, a presidenta mexicana ressaltou que a operação foi conduzida apenas por forças federais mexicanas, com a troca de informações como apoio americano.

“Não há participação de forças americanas na operação. O que existe é uma ampla troca de informações”, afirmou Sheinbaum.

O general Trevilla reiterou que a informação inicial sobre El Mencho teve origem na inteligência mexicana, com os EUA complementando os dados posteriormente.

Consequências para o crime organizado

A morte de El Mencho poderá gerar instabilidade no cartel e disputas internas pela liderança, conforme avalia a especialista Gabriela de Luca. Ela aponta que a reconfiguração no poder dos cartéis é o efeito mais probable, sem uma diminuição imediata no fluxo de drogas.

“Possivelmente o Cartel de Sinaloa e outros tentarão ocupar rotas e territórios, redistribuindo forças no mercado ilícito”, concluiu.

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