No Dia Mundial do Câncer de Colo do Útero, celebrado em janeiro, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus, afirmou que o mundo possui as ferramentas necessárias para prevenir essa doença, considerando-a “eliminável”. Apesar disso, especialistas alertam para o elevado número de mortes, especialmente em países em desenvolvimento.
Desafios e Estatísticas
Conversando com a ONU News, Luisa Lina Villa, diretora do Laboratório de Inovação do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, destacou que, embora existam vacinas e tratamentos, as mortes ainda são significativas. “Anualmente, pelo menos 300 mil mulheres perdem a vida devido a um câncer que pode ser prevenido”, afirmou.
Impacto entre Mulheres Jovens
Villa ressaltou a vulnerabilidade de mulheres jovens, principalmente aquelas entre 30 e 45 anos, em situações comuns de início de família. “Esse drama atinge todo o mundo, mas é mais crítico em países menos desenvolvidos”, completou a especialista, que também é professora da USP.
Câncer de Colo do Útero no Brasil
No Brasil, são registrados aproximadamente 17 mil novos casos de câncer de colo do útero anualmente, conforme dados do Instituto Nacional do Câncer. Isso resulta em uma taxa de incidência de cerca de 17,18 por 100 mil mulheres, uma taxa três vezes maior que em nações desenvolvidas, onde índices são inferiores a cinco por 100 mil. “As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste são as mais afetadas”, alertou.
Vacinação e Comunicação Eficaz
Luisa Villa tem mais de 40 anos de experiência com o vírus HPV, e destacou o impacto positivo das vacinas na redução de infecções e mortes. Ela defendeu a necessidade de um grande investimento em comunicação para disseminar informações sobre a vacinação, que permanece crucial para reduzir a incidência da doença.
A especialista também expressou preocupação com a desinformação que tem impactado a cobertura vacinal. “Eventos adversos relatados, que não estão relacionados à vacinação, geraram medo e reduções na imunização”, explicou, mencionando o sofrimento de meninas que apresentaram reações sem relação causal.
A Importância do Rastreamento
A vacina contra o HPV deve ser administrada antes da exposição ao vírus, priorizando crianças e adolescentes, além de pessoas com HIV e pacientes oncológicos. O Ministério da Saúde planeja também incluir vítimas de abuso sexual nas campanhas de vacinação.
Villa enfatizou que o rastreamento é essencial, pois quando identificado no estágio inicial, o câncer de colo do útero é facilmente tratável. Contudo, muitas mulheres em regiões mais pobres só são diagnosticadas em estágios avançados da doença.
Acesso ao Tratamento
Além de prevenir, é vital garantir que todas as mulheres, independentemente da faixa etária, tenham acesso a tratamento adequado e cuidados paliativos. “Devemos atender todas, desde as mais jovens até as de idade mais avançada”, disse Villa.
Por fim, a pesquisadora conclamou a todos os países a seguir as recomendações da OMS para aumentar a cobertura vacinal e a eficácia do rastreamento. Atualmente, 162 países já incluem a vacina contra o HPV em seus programas nacionais de imunização.
