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Atos a favor do regime no Irã criticam distúrbios e interferência estrangeira

Nos últimos dias, milhares de iranianos se mobilizaram em atos a favor do regime da República Islâmica, manifestando apoio ao governo e criticando os protestos que têm ocorrido no país. As manifestações recentes teriam resultado em mais de 490 mortes de manifestantes e 48 agentes de segurança, segundo levantamentos não oficiais.

Contexto dos Protestos

Desde dezembro do ano passado, o Irã vive uma onda de protestos em resposta a questões socioeconômicas, como o aumento do custo de vida. O clima tenso levou o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a sugerir uma intervenção militar para “ajudar” os manifestantes. Em contrapartida, o governo iraniano divulgou vídeos que mostram manifestantes armados, acusando-os de vandalismo e de agirem sob ordens de agentes estrangeiros, justificando a possibilidade de uma intervenção por parte dos EUA e de Israel.

Análise de Especialistas

Bruno Lima Rocha, jornalista e professor de relações internacionais, ressaltou que os protestos, inicialmente legítimos, evoluíram para uma conjuntura que poderia culminar em uma ameaça externa. “A população foi convocada pelas forças do governo para se manifestar em resposta a uma questão de soberania”, afirmou Rocha, editor da Hispan TV Brasil.

“Parece que há uma política para intensificar a violência e, talvez, provocar um ataque ao Irã. Isso isola o protesto e transforma a situação em uma questão de lealdade nacional”, explicou Rocha.

Posição do Governo Iraniano

No domingo (11), Trump anunciou que as forças armadas dos EUA estão analisando possíveis ações em relação ao Irã e indicou que uma reunião com as autoridades de Teerã deve ser organizada em breve. “Estamos considerando algumas opções sólidas”, destacou Trump.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã convocou embaixadores de países que apoiam os protestos para apresentar gravações de manifestações violentas. O governo enfatizou que tais atos vão além do que seria um protesto pacífico e caracterizou-os como vandalismo organizado.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, comentou que a violência tem origem em ações provocadas por “terroristas do exterior”, ressaltando os danos aos cidadãos e à propriedade durante os distúrbios.

Questões Econômicas e Geopolíticas

Rocha identificou que as recentiações de protestos, que começaram no fim de dezembro, foram provocadas pelo fim de subsídios à importação de alimentos, gerando inflação e impactos diretos no custo de vida da população. “No início, a repressão aos protestos foi relativamente leve. Contudo, a situação se deteriorou com a violência, motivada por ações de grupos separatistas e descontentamento juvenil”, afirmou o especialista.

“O Irã, após a Revolução de 1979, assegurou o controle de sua cadeia produtiva de petróleo, utilizando-o para seu desenvolvimento. Entretanto, enquanto o país se recusar a se subordinar ao Ocidente, permanecerá como um alvo de imperialismo”, concluiu Rocha.

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