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Guia orienta sobre novo rastreamento do câncer de colo do útero

A Fundação do Câncer apresentou nesta quinta-feira (8) uma versão atualizada do Guia Prático de Prevenção do Câncer de Colo do Útero, em celebração ao Janeiro Verde, mês dedicado à conscientização e prevenção dessa doença. A primeira edição do guia foi lançada em 2022 e enfocava a vacinação contra o HPV (papilomavírus humano) e o exame Papanicolau, método utilizado anteriormente para rastreamento.

Atualizações do Guia

A nova versão do guia tem como objetivo orientar profissionais de saúde sobre a transição do rastreamento que substituirá, gradualmente, o exame Papanicolau pelo teste molecular de DNA-HPV. “Tanto a vacinação quanto o método de rastreamento sofreram mudanças significativas, especialmente para 2025, com a ampliação da vacinação do público-alvo contra o HPV”, afirmou Flávia Miranda Corrêa, consultora médica da Fundação do Câncer.

Rastreamento e Testes Moleculares

Os testes moleculares para detecção do HPV oncogênico foram incorporados ao Sistema Único de Saúde (SUS) em 2024, segundo Corrêa. O processo de implementação, que começou em setembro do ano passado, ocorrerá gradativamente em municípios de 12 estados inicialmente, com conversas em andamento para incluir mais 12 estados.

Nos locais onde o rastreamento molecular ainda não foi realizado, as normas do exame citológico continuam válidas. O guia atualizado inclui as recomendações das novas Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, que preveem essa substituição no SUS.

Público-Alvo e Frequência dos Testes

O público-alvo para o novo exame de rastreamento, que envolve mulheres de 25 a 64 anos, permanece inalterado no Brasil, diferentemente de outros países que fixaram a idade inicial em 30 anos. A periodicidade dos exames também difere: o Papanicolau deve ser realizado a cada três anos após resultados negativos, enquanto o teste molecular permite um intervalo de cinco anos entre os exames.
Mulheres com resultados positivos para HPV 16 e 18, que representam os tipos mais perigosos, devem ser encaminhadas imediatamente para colposcopia, enquanto outras com resultados positivos para HPV devem repetir exames em um ano.

Estratégia Global de Eliminação do Câncer

O Brasil se comprometeu com a Estratégia Global para a Eliminação do Câncer de Colo do Útero da OMS até 2030, com metas de vacinação, rastreamento e tratamento. Flávia Corrêa destacou que a vacinação é a forma mais eficaz de prevenção contra o câncer de colo do útero, especialmente entre meninas de 9 a 14 anos que recebem a vacina quadrivalente, disponível no SUS desde 2014.

“Quanto mais cedo a criança ou adolescente for vacinado contra o HPV, maior é a imunidade que se desenvolve”, completou Corrêa.

Pilares da Prevenção

O novo rastreamento molecular melhora a detecção precoce, substituindo o Papanicolau, que pode apresentar resultados imprecisos. Além disso, o tratamento oportuno é essencial, assegurando que mulheres com alterações recebam os cuidados necessários rapidamente. “Não basta só mudar o teste. Toda a rede de cuidado e prevenção do câncer do colo do útero tem que estar estruturada”, reforçou a médica.

Grupos Prioritários e Inclusão dos Profissionais do Sexo

A vacinação gratuita está disponível no SUS para grupos prioritários, incluindo portadores de HIV/Aids, transplantados e vítimas de abuso sexual. Mulheres de 20 a 45 anos devem recorrer ao setor privado, onde o esquema de vacinação é de três doses.

Embora os profissionais do sexo não sejam atualmente incluídos na vacinação do SUS, há uma expectativa de que possam ser contemplados nas futuras expansões do programa de vacinação.

Para mais informações, consulte o Guia Prático de Prevenção do Câncer do Colo do Útero, da Fundação do Câncer.

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