Clima de Frustração na 67ª Cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu
A 67ª Cúpula do Mercosul, realizada no último sábado (20/12) em Foz do Iguaçu (PR), gerou um clima de frustração entre os líderes presentes. A expectativa era pela assinatura do acordo de livre comércio com a União Europeia, ato que não ocorreu. A data e o local do encontro haviam sido cuidadosamente escolhidos para esta finalidade, mas o resultado foi desapontador.
Líderes Presentes
Durante o evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve acompanhado de seus colegas da Argentina, Javier Milei, do Uruguai, Yamandú Orsi, e do Paraguai, Santiago Peña, que recebeu a presidência temporária do bloco. Também marcaram presença autoridades da Bolívia e representantes de países associados ao Mercosul.
Divergências sobre a Venezuela
Além da falta de consenso com a UE, as diferenças de opinião entre Lula e Milei ficaram evidentes ao abordarem a situação da Venezuela, que enfrenta crescente cerco militar dos Estados Unidos. Lula declarou que uma intervenção armada na Venezuela seria “uma catástrofe humanitária”, enquanto Milei se referiu ao regime do país como “ditadura atroz e inumana”.
É relevante destacar que a declaração final da cúpula não mencionou a Venezuela, país suspenso do Mercosul desde 2017 por descumprir a cláusula democrática. A tensão entre os líderes se intensificou após Milei compartilhar um post provocativo em suas redes sociais, comparando países governados por diferentes ideologias políticas.
Perspectivas para o Mercosul
Com desavenças entre líderes e a incerteza quanto ao futuro do acordo com a UE, as perspectivas para o Mercosul em termos de expansão de mercados e influência permanecem nebulosas. Sem um acordo, o bloco deve enfrentar desafios para reduzir a dependência das exportações agrícolas em relação à China.
Impactos no Agronegócio e na Indústria
O agronegócio brasileiro, que já possui forte presença no mercado asiático, não deve sofrer grandes impactos caso o acordo não se concretize, segundo Vinícius Vieira, professor de Relações Internacionais da FAAP. No entanto, a indústria do Brasil poderia perder oportunidades a longo prazo em inserções em cadeias de valor globais.
Projeções do Ministério do Desenvolvimento indicam que, se o acordo for alcançado, a indústria seria a mais beneficiada, com um aumento significativo nas exportações para a UE. A falta do acordo implica também em perdas potenciais para a política externa brasileira, especialmente para Lula, que se empenhou ativamente nas negociações.
Buscando Novos Mercados
Apesar das divergências internas, o Mercosul está explorando novas alternativas comerciais. Um acordo recente com Singapura e negociações com os Emirados Árabes, Canadá e Índia demonstram uma busca por diversificação. As oportunidades de novos mercados são vistas positivamente, mas enfrentam obstáculos, incluindo resistências internas e tensões geopolíticas na Ásia.
Foco no Comércio Intra-Mercosul
Independentemente da diversificação, a embaixadora Gisela Padovan enfatizou que o Mercosul ainda tem um longo caminho a percorrer para aumentar o comércio entre seus membros. Atualmente, o comércio intrabloco representa apenas 11% do total, em comparação a 61% na União Europeia.
Recentemente, a criação de uma comissão para o combate ao crime organizado transnacional foi aprovada, destacando a importância da cooperação em segurança entre os países do bloco.
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