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Você sabia? Escola Municipal Papa João XXIII, no Portão, é a mais antiga de Curitiba e guarda 62 anos de história

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O que hoje é um amplo e estruturado espaço educacional já foi, décadas atrás, apenas um campo aberto onde crianças do bairro Portão brincavam e jogavam futebol. No terreno da Rua Itacolomi, 700, funciona atualmente a Escola Municipal Papa João XXIII, a instituição de ensino mais antiga da rede municipal de Curitiba. Com 62 anos de existência e 541 estudantes matriculados, a unidade abriga também o Farol do Saber e Inovação Rocha Pombo e permanece como um símbolo afetivo para gerações de ex-alunos.

Entre eles estão professoras que, após estudarem no “Papa” — como a escola é carinhosamente chamada — retornaram décadas depois para lecionar. Uma delas é Luciana Paulino, concursada desde 2012, que estudou na escola durante toda a infância, nos anos 1990.
“Guardo lembranças muito importantes, amizades que tenho até hoje e professores que moram no meu coração. O Papa é enorme quando a gente é criança, mas sempre senti muito acolhimento”, recorda.

Ela conta que a paixão pela educação surgiu mais tarde, após cursar Direito, e que voltar à escola onde cresceu foi emocionante:
“Disseram que era difícil conseguir vaga para trabalhar no Papa. Quando consegui, senti que retornava à minha escola do coração.”

A professora Giane Pereira da Costa Silva, aluna entre 1991 e 1993, também descreve a escola como parte fundamental de sua formação.
“Meu pai passou a noite na fila para garantir minha vaga. Boa parte dos ensinamentos que recebi ali levei para minha vida pessoal e profissional”, afirma. Em 2015, ela voltou à unidade como professora substituta de Ciências, onde leciona até hoje.

Outra memória afetiva vem de Roberto André Oresten, presidente da Representação Central Ucraniano Brasileira, que estudou no local no fim da década de 1960 e início de 1970.
“Morava a uma quadra da escola. Foi minha escola primária, fiz grandes amigos e adorava os livros de história e os campeonatos esportivos”, relembra.


História entrelaçada ao desenvolvimento do bairro Portão

A trajetória da escola acompanha a evolução histórica do Portão, que teve origem no século XIX, marcado por um posto de fiscalização responsável pelo controle da passagem de mercadorias. O crescimento da região ganhou força com a chegada da ferrovia em 1894, transformando o local em um polo comercial da erva-mate.

Na década de 1950, a pavimentação da Avenida República Argentina impulsionou ainda mais o desenvolvimento urbano, aumentando a demanda por serviços públicos, especialmente educação.

A escola foi inaugurada em 1963, durante a gestão do prefeito Ivo Arzua, e recebeu o nome de Papa João XXIII, conhecido por modernizar a Igreja Católica e promover o diálogo inter-religioso. Inicialmente criada como Centro Experimental Papa João XXIII, a instituição foi oficializada pelo Decreto 1273.

Hoje, além de atender estudantes do Ensino Fundamental e da Educação de Jovens e Adultos (EJA), a escola conta com uma biblioteca com mais de 6 mil títulos e um Farol do Saber equipado com impressora 3D, que também atende à comunidade. Em 2025, a unidade se tornou a primeira da rede municipal a receber o projeto-piloto de ensino de língua ucraniana.

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