26/11/2025 – 20:15
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Jackeline Romio (dir): “Brasil vive epidemia de feminicídios”
Crescimento Alarmante de Feminicídios no Brasil
Uma pesquisa apresentada na Câmara dos Deputados revela que, dez anos após a promulgação da Lei do Feminicídio, o Brasil enfrenta um aumento significativo nas mortes de mulheres motivadas por fatores de gênero. O número de casos saltou de 527 em 2015 para 1.455 em 2024, representando um crescimento de 176%. A pesquisa, intitulada “Quem são as mulheres que o Brasil não protege?”, integra as atividades da campanha “21 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres”.
Dados Preocupantes sobre Raça e Classe
Segundo o estudo, 68% das mulheres assassinadas durante essa década eram negras. Embora tenha havido uma pequena redução nas mortes de mulheres brancas, os dados mostram um aumento das violentas entre mulheres pretas e pardas. Jackeline Ferreira Romio, especialista da Fundação Friedrich Ebert, ressalta que as políticas de combate à violência contra a mulher devem incorporar questões de raça e classe para serem realmente eficazes.
Subnotificação de Mortes Violentas
Romio ainda destacou que os números apresentados podem estar subestimados, já que nem todos os homicídios de mulheres são devidamente investigados. Dados de saúde indicam que entre 3.500 e 4.000 mulheres morrem anualmente de causas violentas no Brasil, sendo que aproximadamente 2.500 dessas mortes são classificadas como feminicídios. “No Brasil, temos uma epidemia de feminicídios”, afirma Romio.
O Brasil à Fronteira do Feminicídio na América Latina
Atualmente, o Brasil ocupa a liderança em feminicídios na América Latina e no Caribe, com uma média de 11 mulheres mortas diariamente na região, sendo quatro brasileiras.
Necessidade de Protocolos Eficazes
Na visão de Bárbara Martins, coordenadora do Projeto Reconexão Periferias, a falta de eficácia nas políticas públicas é um dos maiores obstáculos no combate à violência de gênero e raça. Ela ressalta que a ausência de cumprimento dos protocolos administrativos estabelecidos pela Lei de Feminicídio configura uma violação constitucional.
Propostas Legais para Combater Desigualdades
A deputada Jack Rocha (PT-ES), secretária da Mulher na Câmara, está estudando um projeto de lei que responsabiliza gestores públicos, por improbidade administrativa, que não aplicarem orçamentos cujo objetivo é reduzir desigualdades de gênero e raça.
“É importante discutir a formação de orçamento para a redução das desigualdades e combater a violência enquanto cidadãs com direitos”, afirmou Rocha.
Evento na Câmara dos Deputados
A apresentação da pesquisa foi realizada na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, em parceria com a Secretaria da Mulher da Câmara.
Reportagem – Maria Neves
Edição – Ana Chalub
