A Exposição “Debret em Questão” Dialoga com a História e a Contemporaneidade
A exposição “Debret em questão — olhares contemporâneos”, inaugurada em 25 de setembro no Museu do Ipiranga, em São Paulo, promove um diálogo entre obras do artista francês Jean-Baptiste Debret, que retrataram o Brasil do século XIX, e as releituras de 20 artistas contemporâneos. O evento conta com obras inéditas de Rosana Paulino e Jaime Lauriano, ampliando a discussão sobre representações históricas e contemporâneas.
Origem e Curadoria da Exposição
Esta mostra é um desdobramento do livro “Rever Debret” (Editora 34, 2023), do pesquisador Jacques Leenhardt, que assina a curadoria junto a Gabriela Longman. A exposição é dividida em duas partes, apresentando 35 pranchas litográficas do livro “Voyage pittoresque et historique au Brésil”, publicado em Paris entre 1834 e 1839.
Os curadores enfatizam que Debret adotou uma postura crítica e quase antropológica em suas obras, abordando o cotidiano da sociedade brasileira da época, que ainda era marcada pela escravidão. O artista francês observou e documentou as realidades sociais, o que levou à rejeição de seu trabalho pelo governo brasileiro da época.
Releituras Contemporâneas
A segunda parte da exposição traz releituras contemporâneas que questionam a narrativa histórica predominante. As obras abordam temas atuais que refletem a herança da escravidão, com contribuições de artistas como Gê Viana, Dalton Paula e Isabel Löfgren & Patricia Goùvea.
De acordo com Gabriela Longman, as diversas técnicas utilizadas nas obras, como fotografia, vídeo e colagem digital, ilustram a multiplicidade da arte contemporânea. O diretor do Museu do Ipiranga, Paulo Garcez Marins, complementou que as exposições buscam interpretar o passado com questões do presente, abordando formas de violência e resistência que moldaram o Brasil.
Relevância das Obras de Debret
Os painéis iniciais da exposição focam na questão indígena e na vida dos escravos no Brasil Império. Longman destacou que as imagens de Debret revelam uma sociedade bipartida e expõem a variedade de ofícios dos escravizados, além da violência presente nas relações sociais da época. Tais representações, frequentemente descontextualizadas, convertem-se em imagens nostálgicas, distantes das críticas originais de Debret.
Obras Inéditas e Temas Abordados
A exposição destaca duas obras inéditas, “Paraíso Tropical” de Rosana Paulino e “Brasil através do espelho” de Jaime Lauriano. Enquanto Paulino revisita a imagem do Brasil como um paraíso idílico, Lauriano aborda temas como etnocídio e violência racial, utilizando títulos das obras de Debret para questionar a permanência dessas questões na sociedade contemporânea.
Lauriano também apresenta a série “Justiça e Barbárie”, composta por fotografias de violência veiculadas na mídia. O curador mencionou a relevância dessa discussão à luz de eventos recentes no Rio de Janeiro, sublinhando a atualidade e a intensidade dos temas abordados na exposição.
A mostra ainda inclui obras de diversos artistas contemporâneos e um espaço dedicado a um desfile da escola Acadêmicos do Salgueiro, registrado em fotos do fotógrafo Marcel Gautherot.
A exposição “Debret em questão — olhares contemporâneos” ficará em cartaz até 17 de maio do próximo ano, de terça a domingo, das 10h às 17h no Museu do Ipiranga.
Fonte: CNN https://www.cnnbrasil.com.br/lifestyle/mostra-exibe-brasil-de-debret-e-releitura-de-artistas-contemporaneos/
