Conferência em Abu Dhabi: Negociações de Paz na Ucrânia
Autoridades da Rússia e dos Estados Unidos estão reunidas em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, para discutir uma proposta de paz sobre o conflito na Ucrânia. O secretário do Exército dos EUA, Dan Driscoll, lidera a delegação americana. As discussões começaram na noite de segunda-feira (24) e serão retomadas nesta terça-feira (25). Até o momento, não foram divulgadas informações sobre a composição da delegação russa.
O encontro ocorre após Driscoll e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, se reunirem com diplomatas da Ucrânia em Genebra, na Suíça, dois dias antes das conversas em Abu Dhabi. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pode visitar Washington ainda esta semana para discutir detalhes sensíveis da proposta de paz.
Conteúdo da Proposta de Paz
A proposta de acordo apresenta um dilema significativo para Zelensky: aceitar amplas concessões territoriais à Rússia e condições militares rigorosas impostas pelos EUA ou arriscar perder o apoio fundamental de Washington, enquanto a Rússia mantém uma posição forte no conflito.
Elaborado pelo enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, em associação com o negociador russo Kirill Dmitriev, o plano contém 28 pontos e não contou com a participação de representantes europeus nem de Kiev em sua formulação inicial.
Um dos aspectos mais polêmicos do documento exige que a Ucrânia e seus aliados reconheçam como russas a Crimeia, o Donbass e outros territórios atualmente ocupados por Moscou. Isso transformaria áreas como Crimeia, Lugansk e Donetsk em regiões reconhecidas oficialmente como russas, enquanto Kherson e Zaporíjia ficariam em um impasse, sem uma definição clara de soberania.
Em contrapartida, Moscou se comprometeria a desistir de ambições além das cinco regiões anexadas, mas ainda manteria o controle sobre áreas estratégicas. A proposta inclui um sistema de “arrendamento territorial”, onde a Rússia pagaria à Ucrânia pela administração de áreas ocupadas, enquanto mantém a autoridade militar.
Implicações Militares e Sociais
O plano também prevê uma reestruturação significativa do exército ucraniano, que seria reduzido para 600 mil soldados, com a retirada de armas de longo alcance e a proibição de tropas estrangeiras no território ucraniano. A Constituição da Ucrânia passaria a declarar que o país nunca ingressará na OTAN.
Além disso, o russo se tornaria o idioma oficial, e a Ucrânia teria que adotar normas rigorosas para proteção de minorias e liberdade religiosa. Programas educacionais seriam implementados para combater o racismo e ideologias extremistas.
Por fim, o projeto estipula a realização de eleições nacionais em até 100 dias, com anistia total para todos os envolvidos nas ações militares de ambos os lados.
