A COP30, cúpula da ONU sobre mudança climática realizada em Belém, encerrou-se com um acordo frágil que deixou de lado demandas cruciais de diversas nações. O único compromisso concreto estabelecido foi a promessa dos países desenvolvidos de triplicar os investimentos em apoio à adaptação de nações mais vulneráveis ao aquecimento global.
Combustíveis Fósseis em Debate
Na abertura do evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou a necessidade de um “mapa do caminho” para avançar na transição dos combustíveis fósseis, conforme prometido na COP28, em Dubai. No entanto, essa proposta não avançou; países árabes produtores de petróleo e outras nações dependentes de combustíveis fósseis bloquearam qualquer referência ao tema.
O formato final da conferência resultou em um plano voluntário, ao qual os países poderiam optar por aderir. A situação se assemelha aos resultados da COP27, realizada no Egito, e da COP29, no Azerbaijão, onde os países optaram por aumentar os recursos destinados ao enfrentamento das mudanças climáticas sem abordar sua principal causa.
Cerca de 75% das emissões globais de gases de efeito estufa desde 2020 vêm de carvão, petróleo e gás. A Agência Internacional de Energia prevê que a demanda por esses combustíveis deverá aumentar até 2050, revertendo as expectativas de uma transição rápida para fontes de energia limpa.
Unidade Global nas Negociações Climáticas
A cúpula sublinhou a importância da unidade global nas tratativas climáticas, destacando que os países desenvolvidos, responsáveis por grande parte da poluição histórica, devem assumir a maior parte do esforço para resolver a crise climática. Contudo, para chegar a um consenso final, as nações abandonaram grande parte das ambições iniciais, incluindo metas mais rigorosas para a redução das emissões.
A falta de participação dos Estados Unidos nas negociações foi lamentada, uma vez que sua ausência incentivou nações com interesses em combustíveis fósseis. As discussões sobre um processo em que alguns países possam vetar acordos coletivos intensificaram os apelos por reformulação desse sistema.
A promessa de uma “COP da Verdade”, feita pelo Brasil, destacou a falta de planos concretos para implementar ações climáticas efetivas, causando descontentamento generalizado.
O Papel da China nas Negociações
A China, comandada por Xi Jinping, adotou uma postura de liderança, embora de forma discreta. A delegação chinesa apresentou propostas de tecnologia de energia limpa, apesar da ausência do presidente em negociações diretas.
Empresas chinesas de energia solar, baterias e veículos elétricos foram destacadas em um espaço dedicado, visível logo na entrada do evento. Outros países em desenvolvimento, como a Índia e a África do Sul, também tiveram papéis prominentes durante a cúpula, com agendas climáticas específicas.
Florestas e Direitos Indígenas
A escolha de Belém, cidade amazônica, ressaltou a importância da preservação florestal na luta contra as mudanças climáticas, com a participação de indígenas como guardiões das terras. Muitos participantes expressaram frustração ao se sentirem ignorados, organizando protestos e até confrontos com segurança durante o evento.
Os países reunidos emitiram cerca de US$ 9,5 bilhões em compromissos de financiamento florestal, com quase US$ 7 bilhões destinados ao fundo de florestas tropicais do Brasil, e US$ 2,5 bilhões a uma iniciativa voltada ao Congo. No entanto, a cúpula terminou com críticas por não avançar nas promessas de desmatamento zero até 2030 e pela falta de reconhecimento dos direitos territoriais indígenas.
Desafios à Ciência Climática
Embora líderes, como Lula, tenham condenado a desinformação sobre questões climáticas, as negociações falharam em combater os ataques do governo dos EUA à ciência climática. A cúpula não reconheceu o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU) como a base científica mais confiável para orientar as políticas climáticas.
O acordo final destacou a importância dos produtos do IPCC, junto com relatórios de países em desenvolvimento e instituições regionais. Entretanto, ao ignorar a questão dos combustíveis fósseis e metas de emissões mais rigorosas, a COP30 deixou de abordar os alertas feitos por cientistas sobre a crise climática.
Fonte: CNN https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/cop30-com-avancos-e-pendencias-veja-as-conclusoes-da-conferencia/
📲 Receba as notícias de Curitiba no WhatsApp!
Participe do grupo do Busão Curitiba e fique por dentro de tudo que acontece na cidade. Entrar no grupo ›



