Na última semana, a saga dos arquivos do criminoso sexual Jeffrey Epstein ganhou novos contornos. O Congresso dos Estados Unidos aprovou por uma ampla margem bipartidária uma lei que obriga o Departamento de Justiça (DOJ) a divulgar todos os documentos relacionados ao caso. O presidente Donald Trump sancionou a medida, que inclui várias menções ao próprio presidente nos materiais que serão tornados públicos.
A nova legislação estabelece um prazo de 30 dias para que o procurador-geral torne públicos os documentos, comunicações, registros bancários, entrevistas e materiais não classificados vinculados a Epstein, salvo exceções legais específicas.
Possíveis Impedimentos na Liberação dos Arquivos
Apesar das expectativas, uma investigação recentemente anunciada pelo governo Trump levanta questões sobre possíveis bloqueios ou edições nos documentos a serem divulgados. A procuradora-geral Pam Bondi solicitou a abertura de uma apuração logo após Trump pedir investigações relacionadas a democratas e instituições financeiras associadas a Epstein.
Expectativas sobre a Liberação dos Arquivos
Com a sanção da lei, parlamentares expressam ceticismo quanto ao cumprimento do prazo de 30 dias pelo Departamento de Justiça. As opções consideradas incluem:
- Divulgação integral, com poucas edições — considerada improvável.
- Publicação com cortes extensos, justificando a proteção de vítimas e testemunhas.
- Alegações de que a nova investigação impede a liberação completa.
- Possíveis vazamentos internos, caso o DOJ tente restringir o material.
- Utilização política de eventuais atrasos, tanto por parte de democratas quanto de republicanos críticos a Trump.
Conteúdo Já Divulgado sobre Epstein
Recentemente, o Comitê de Supervisão da Câmara liberou mais de 20 mil páginas de e-mails e documentos do espólio de Epstein, que foram entregues ao Congresso por meio de intimação. O material reacendeu debates sobre figuras públicas, incluindo Trump, trazendo à tona novas alegações e comentários políticos.
Os e-mails de Epstein, principalmente de 2017 e 2018, mostram o financista afirmando ser “o único capaz de derrubar” o atual presidente, sem oferecer detalhes adicionais. Ele descreve Trump como “completo maluco” e sugere que estava “quase insano”, além de mencionar ter “fotos de Donald e garotas de biquíni na minha cozinha” e insinuar que uma ex-namorada foi “passada para Donald” nos anos 1990, sem comprovação.
A Casa Branca se pronunciou, afirmando que os arquivos “não provam absolutamente nada”.
Referências ao Brasil
Os documentos também mencionam o Brasil. Em um e-mail de 2018, Epstein relata: “Chomsky me ligou com Lula. Da prisão. Que mundo.” A Presidência brasileira negou que Lula tenha tido contato com Epstein. Jair Bolsonaro é mencionado brevemente como “o cara”, sem mais detalhes.
Impacto Político e Tensão Interna no Partido Republicano
A liberação dos arquivos deve-se a uma rara unidade bipartidária, com 427 votos a 1 na Câmara e aprovação unânime no Senado. Trump, após pressão, sancionou o projeto, mesmo sabendo que um veto encontraria apoio suficiente para ser derrubado.
Pesquisas indicam que o caso Epstein já desgastava a imagem do presidente, com 74% dos americanos desaprovando sua condução do tema. A divulgação teve resultados imediatos, incluindo a renúncia de Larry Summers ao conselho da OpenAI, e a democrata Stacey Plaskett enfrentando questionamentos sobre suas mensagens com Epstein.
No espectro republicano, figuras como Marjorie Taylor Greene e Thomas Massie pedem transparência total, enquanto aliados de Trump tentam proteger o presidente de possíveis repercussões.
