A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP30) está discutindo um roteiro para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis, uma proposta apoiada por ministros de vários países, incluindo Alemanha, Reino Unido e Colômbia. A inclusão deste tema nas negociações oficiais visa acelerar ações para limitar o aquecimento global a 1,5°C.
Urgência nas Decisões Climáticas
Ministros de diversas nações declararam a necessidade de fortalecer a referência à transição energética no texto em negociação, que deve ser aprovado nesta quarta-feira. Durante uma pausa nas discussões, eles ouviram Marcele Oliveira, campeã da Juventude da COP30, que enfatizou a urgência por decisões imediatas no combate às mudanças climáticas. Oliveira afirmou que os combustíveis fósseis estão “destruindo sonhos” e que acabar com essa dependência é “a mobilização de justiça climática mais importante dessa geração”.
Prioridade para as Futuras Gerações
Em entrevista à ONU News, Oliveira reforçou que a proteção do futuro das crianças e jovens deve ser prioridade nas discussões da COP30. Ela destacou que a inação climática é considerada um crime ambiental e defendeu a necessidade de desviar recursos dos combustíveis fósseis para a proteção ambiental.
Uma “Batalha Decisiva”
O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu o apoio da juventude na “batalha decisiva” contra a crise climática, enfatizando que a transição dos combustíveis fósseis para fontes renováveis é essencial. Ele alertou sobre a influência de grupos que priorizam lucros em detrimento do bem-estar do planeta e pediu que a juventude pressione os governos e o setor privado durante a COP30.

As fábricas movidas a combustíveis fósseis estão contribuindo para as mudanças climáticas
Vozes da Juventude
João Victor da Silva, de 16 anos, expressou aos líderes que as crianças e adolescentes não desejam ser ativistas, mas sim viver suas infâncias sem a sombra da crise climática. O jovem Nigel Maduro, de Aruba, compartilhou sua preocupação com a destruição das praias em seu país, alertando que as negociações sobre mudanças climáticas estão lentas e podem não ocorrer a tempo de salvar seu lar.
Outros jovens também apresentaram suas preocupações, reforçando a necessidade de ações rápidas para garantir um futuro habitável. Guterres reconheceu que uma maior inclusão de jovens, especialmente indígenas, nas decisões climáticas poderia resultar em melhores resultados.

Crianças presentes na Conferência das Nações Unidas sobre o Clima em Belém, Brasil
Protestos e Inclusão
A líder indígena Txai Suruí descreveu a COP30 como um momento de “esperança e alegria”, destacando a importância da participação da juventude. Ela advertiu que a Amazônia está em risco de desertificação e pediu uma maior inclusão dos povos indígenas nas discussões sobre mudanças climáticas.
Suruí também comentou a influência do lobby empresarial nas negociações, apontando que ele frequentemente supera a representação dos povos indígenas. No entanto, ela notou um crescente reconhecimento dos indígenas como guardiões da natureza e defendeu que a transição energética deve ser justa e considerar os direitos dos territórios afetados.
*Felipe de Carvalho é enviado especial da ONU News à COP30, no Brasil.
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