Ministério da Saúde Apresenta Estudo Inédito sobre Demografia da Enfermagem
O Ministério da Saúde divulgou, nesta terça-feira (11), o relatório “Demografia da Enfermagem do Brasil”. Este estudo inédito analisa o panorama do setor de enfermagem no país, que inclui enfermeiros, técnicos e auxiliares. Os dados revelam um crescimento significativo das oportunidades de trabalho na área, especialmente no Sul do Brasil.
Crescimento do Setor de Enfermagem
Nos últimos cinco anos, o número de empregos na enfermagem cresceu quase 35% no Sul, passando de 154,5 mil postos em 2017 para 223,5 mil em 2022. No entanto, essa quantidade não se refere ao número exato de profissionais, já que um trabalhador pode ter mais de um vínculo de trabalho.
Parceria e Objetivos do Estudo
Financiado pelo Ministério da Saúde e realizado em cooperação com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), o estudo busca oferecer uma base de dados robusta que permita a gestores e entidades de saúde planejar políticas voltadas à valorização da enfermagem no Brasil.
Distribuição dos Vínculos em Níveis de Atenção
Apesar do crescimento, o Sul e Sudeste apresentaram o menor aumento percentual no período, mas ocupam o terceiro lugar em número total de vínculos no país. Em 2022, a atenção primária representou 17% dos postos. A atenção secundária manteve um crescimento estável, enquanto a atenção terciária registrou a maior expansão, com 14,2% dos postos.
Comentários do Secretário de Saúde
O secretário adjunto de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Jérzey Timóteo, destacou a importância do estudo para compreender as necessidades dos profissionais de enfermagem. Ele afirmou que a pesquisa ajudará o governo a desenvolver políticas públicas embasadas em evidências.
Impactos da Pandemia
Dentre os dados coletados, os números de 2020 em diante indicam um aumento na contratação de enfermeiros e técnicos, especialmente no setor público, em resposta à pandemia. Esse crescimento é um reflexo das necessidades emergentes por serviços hospitalares e de saúde.
Características do Mercado de Trabalho
O estudo revela que cerca de 67% dos vínculos de trabalho na enfermagem são regidos pela CLT, enquanto 33% se configuram como contratos estatutários ou temporários. Essa diversidade nos regimes de contrato evidencia a complexidade do mercado de trabalho na enfermagem.
Perfil da Força de Trabalho
Os dados mostram que a maioria dos profissionais da enfermagem, cerca de 85%, são mulheres. Os profissionais têm jornadas de trabalho que variam entre 31 e 40 horas semanais, recebendo salários que variam entre dois e três salários mínimos.
Assistência Financeira Complementar
Em 2023, o Ministério da Saúde iniciou a Assistência Financeira Complementar da União (AFC), que destina recursos para estados e municípios com o intuito de garantir o pagamento do piso salarial nacional da enfermagem. Estima-se que, até 2025, R$ 10,7 bilhões serão investidos nessa área.
Importância da Pesquisa para o Futuro
Segundo Mario Roberto Dal Poz, coordenador do estudo, a pesquisa é um passo significativo para preencher lacunas de informações sobre o mercado de enfermagem no Brasil. Ele ressalta a importância de investigações futuras que ajudem a fortalecer a profissão e valorizar os trabalhadores do setor.
