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FAO: 1,7 Bilhão de Pessoas Afetadas pela Degradação e Redução do Rendimento Agrícola

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) lançou o relatório “O Estado da Alimentação e da Agricultura 2025”, destacando que cerca de 1,7 bilhão de pessoas reside em áreas onde o rendimento das colheitas está diminuindo devido à degradação dos solos. O estudo, apresentado em Roma, enfatiza que a deterioração da terra compromete a produtividade agrícola e os ecossistemas globalmente.

Degradação e Segurança Alimentar

O relatório frisa que a degradação do solo é uma questão que transcende o meio ambiente, impactando diretamente a produtividade agrícola, os meios de subsistência rurais e a segurança alimentar. Este é o mais completo levantamento até o momento sobre como a degradação da terra, resultante da atividade humana, afeta a produção agrícola, identificando áreas vulneráveis e a relação entre perdas, pobreza, fome e desnutrição.

Baseando-se nos dados globais mais atualizados sobre a produção agrícola, a FAO propõe práticas sustentáveis e políticas adaptadas para prevenir, reduzir e reverter a degradação do solo, ao mesmo tempo que busca aumentar a produtividade e a qualidade de vida dos agricultores.

Um incêndio consome a floresta amazônica no Brasil.

Um incêndio consome a floresta amazônica no Brasil, refletindo os efeitos das atividades humanas na produção agrícola.

Medindo a Degradação do Solo

A FAO define degradação da terra como a perda prolongada da capacidade do solo de fornecer serviços ecossistêmicos. Embora fatores naturais como erosão e salinização contribuam para o problema, as atividades humanas se tornaram as principais causas, incluindo desflorestação e práticas agrícolas insustentáveis.

O relatório avalia a degradação com base na comparação de três indicadores-chave — carbono orgânico do solo, erosão e água do solo — com as condições que teriam prevalecido sem intervenções humanas. Um modelo de aprendizado de máquina é utilizado para integrar variáveis ambientais e socioeconômicas.

Desafios e Avanços no Brasil

O Brasil é um dos países com grande concentração de grandes propriedades agrícolas, que geram significativa parte da produção em áreas irrigadas. A agricultura comercial predomina, embora coexistam muitas pequenas e médias propriedades comprometidas com a inclusão rural.

Nos últimos anos, iniciativas privadas e regulamentações têm sido implementadas para combater o desmatamento e promover práticas sustentáveis, com a moratória da soja e da carne bovina mostrando resultados no controle da desflorestação, embora com limitações fora da Amazônia.

Instrumentos de conservação, como as cotas de reserva ambiental em Mato Grosso, têm se mostrado eficazes ao demonstrar que políticas que integram governança ambiental e mecanismos de mercado podem contribuir para a sustentabilidade.

Projeto de reabilitação do solo na Mauritânia

Na Mauritânia, membros da comunidade participam de um projeto de reabilitação do solo.

Restauração da Produção Agrícola

O relatório sugere que reverter apenas 10% da degradação nas terras agrícolas poderia ser suficiente para alimentar 154 milhões de pessoas anualmente. Entre as práticas recomendadas estão a rotação de culturas e o uso de coberturas para preservar a saúde do solo e promover a biodiversidade.

A FAO defende que as políticas sejam adaptadas à realidade agrícola do país, onde pequenos agricultores enfrentam desafios financeiros diferentes dos grandes produtores, que controlam a maior parte das terras e possuem mais recursos para implementação em larga escala.

O Papel da FAO

A degradação do solo é reconhecida globalmente como um desafio crítico, com mais de 130 países comprometendo-se a alcançar a Neutralidade da Degradação da Terra sob a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação. Como responsável pelo Indicador 2 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), a FAO utiliza seu sistema de Zoneamento Agroecológico Global para monitorar e atualiza a distribuição das disparidades de rendimento agroecológico, além de fornecer dados essenciais sobre a saúde do solo por meio do Mapa Global de Carbono Orgânico do Solo.

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