Maduro Suspende Acordos Energéticos com Trinidad e Tobago em Resposta a Ameaças Militares
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou na segunda-feira (27/10) a suspensão cautelar dos acordos de cooperação energética com Trinidad e Tobago. Segundo ele, a decisão é uma resposta a supostas ameaças militares dos Estados Unidos e ao envolvimento do país caribenho em planos considerados agressivos contra a Venezuela.
Motivos da Suspensão
Durante a 95ª edição do programa “Con Maduro +”, o chefe do Executivo informou que a medida seguiu recomendações da diretoria da estatal PDVSA e do Ministério de Hidrocarbonetos. “Esta é uma proposta que me fizeram, que é denunciar o acordo energético que assinamos com grande entusiasmo há alguns anos para o desenvolvimento dos blocos de gás compartilhados que a Venezuela possui”, declarou.
Maduro destacou ainda que a Venezuela tem mantido o fornecimento de gás para Trinidad e Tobago em um gesto de “fraternidade bolivariana”. Contudo, com a expectativa de que o país caribenho se tornasse “um porta-aviões do império dos EUA”, avaliou que a suspensão era a única alternativa viável.
Consultas e Próximos Passos
Na mesma coletiva, Maduro informou que está consultando o Conselho de Estado, o Supremo Tribunal de Justiça e a Assembleia Nacional sobre outras possíveis medidas que considera necessárias.
Acusações de Atentados e Resposta de Trinidad e Tobago
O governo da Venezuela também anunciou a captura de mercenários, supostamente treinados pela CIA, que estariam planejando ataques contra navios da Marinha venezuelana na costa daquele país e em Trinidad e Tobago. “Desmantelamos três ataques terroristas; este é o último”, afirmou o presidente Maduro.
O chanceler Yván Gil explicou que o plano incluía um ataque ao contratorpedeiro USS Gravely, da Marinha dos EUA, que estava ancorado em Trinidad e Tobago, com o objetivo de incriminar Caracas e justificar uma intervenção militar. Trinidad e Tobago, no entanto, rejeitou essas acusações, reiterando que a presença do navio está relacionada a ações de cooperação em segurança marítima e combate ao crime transnacional. “Nosso país valoriza sua relação com o povo venezuelano, dada nossa história compartilhada”, afirmou o governo trinitário em nota oficial.
A Escalada das Tensões
Essas últimas tensões ocorrem em um contexto de escalada nas relações entre Caracas e Washington. Nos últimos dias, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou a autorização de operações secretas da CIA na Venezuela. Ao mesmo tempo, a Venezuela alega que os EUA preparam um invasão disfarçada.
O governo venezuelano qualificou a presença militar norte-americana no Caribe como uma “provocação hostil” e reafirmou seu compromisso em defender a soberania nacional. Maduro enfatizou que a Venezuela busca paz e liberdade diante de ameaças imperialistas, reiterando que o apoio da comunidade internacional é crucial em momentos de crise. “Eles estão buscando uma mudança de regime para roubar nosso petróleo, gás, ouro e água”, concluiu.
