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PEC da Segurança Pública gera controvérsias sobre integração das forças policiais

14/10/2025 – 16:07

Comissão da Câmara discute PEC que altera estrutura da segurança pública

Em sessão realizada nesta terça-feira (14), a comissão especial da Câmara dos Deputados analisou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18/25, que propõe mudanças significativas na estrutura da segurança pública do país. O objetivo da proposta, enviada pelo governo federal, é promover a integração e coordenação entre as ações da União, estados e municípios na área de segurança.

Críticas à proposta

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, expressou preocupações sobre a PEC, especialmente em relação à vinculação das políticas estaduais às prioridades federais para acesso ao Fundo Nacional de Segurança Pública. Ele destacou que a inclusão do fundo na Constituição não assegura um repasse obrigatório de recursos, ao contrário do que acontece com saúde e educação.

De acordo com Derrite, os estados são responsáveis pela aplicação de 82% dos recursos destinados à segurança pública, enquanto os municípios utilizam 7% e a União, apenas 10%. “O estado é quem mais investe recursos próprios, mas a PEC permite que o governo federal, que investe pouco, defina os rumos da segurança pública”, afirmou.

Defesa do ciclo completo de polícia

Durante a discussão, o procurador do Ministério Público Federal, Lucas Gualtieri, reprovou o trecho da proposta que restringe a Polícia Rodoviária Federal de investigar crimes, função que seria exclusiva das polícias Federal e Civil. Ele defendeu o modelo de ciclo completo de polícia, que permite a cada corporação atuar desde a abordagem até a investigação, já adotado em diversos países.

Gualtieri apontou que a Polícia Rodoviária Federal aumentou as apreensões de drogas de 9,1 toneladas para mais de 40 toneladas entre 2017 e 2021, após implementar ações de inteligência integrada. “A PEC é uma oportunidade histórica para reorganizar o sistema constitucional de segurança, com integração entre as agências que combatem o crime organizado”, declarou.

O deputado Alberto Fraga (PL-DF) também apoiou a ideia do ciclo completo de polícia, destacando que, embora o modelo economize tempo, o tema não será abordado no momento devido a acordos internos entre as categorias.

Reconhecimento das guardas municipais

A deputada Delegada Adriana Accorsi (PT-GO) enfatizou a importância de reconhecer as guardas municipais como forças de segurança, conforme estipulado na proposta. Ela, que foi comandante da Guarda Civil Metropolitana de Goiânia, argumentou que se o governo quisesse transformar as guardas em polícias, não as teria mencionado separadamente no artigo 144 da Constituição.

Próximos passos da PEC

O relator da PEC, deputado Mendonça Filho (União-PE), afirmou que o debate contínuo pode melhorar o texto da proposta. “A construção é complexa e exige esforço político e criatividade, mas a oportunidade é única”, comentou.

Três eixos da proposta

A proposta baseia-se em três pilares principais:

  • Tornar constitucional o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), atualmente previsto apenas em lei;
  • Aumentar as competências de órgãos como a Polícia Federal;
  • Fortalecer o papel da União no planejamento e coordenação das ações de segurança pública.

Reportagem – Luiz Cláudio Canuto
Edição – Geórgia Moraes

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