Consulta pública sobre o novo modelo segue até 17 de outubro. Projeto prevê conexões entre regionais, transporte por aplicativo e investimento de R$ 3,7 bilhões nos próximos 15 anos.
O sistema de transporte coletivo de Curitiba está prestes a passar por uma das maiores transformações das últimas décadas. A nova concessão, atualmente em fase de consulta pública, propõe mudanças estruturais que incluem novas linhas entre regionais, o retorno do Circular Centro e a implantação de transporte sob demanda via aplicativo.
Entre as principais novidades, estão conexões diretas que facilitarão os deslocamentos entre bairros e regionais sem a necessidade de passar pelo Centro. As novas rotas incluem:
- Terminal Tatuquara – Terminal Carmo
- Terminal Pinheirinho – Terminal Centenário
- Terminal Santa Felicidade – Terminal Bairro Alto
- Terminal Portão – Terminal Capão da Imbuia
De acordo com o presidente da Urbanização de Curitiba (Urbs), Ogeny Pedro Maia Neto, a proposta visa tornar o transporte coletivo mais competitivo em relação ao automóvel, especialmente em trajetos curtos.
“O diagnóstico do sistema, que fez parte do processo de modelagem do novo edital, mostrou a necessidade de o transporte coletivo ser mais atrativo em trajetos menores e em novos eixos regionais”, afirmou.
Retorno do Circular Centro
Outra medida aguardada é a volta do Circular Centro, linha tradicional de ônibus brancos que foi desativada durante a pandemia. O trajeto percorria pontos estratégicos do centro da cidade em dois sentidos — horário e anti-horário — e deve ser retomado para melhorar a circulação entre áreas de comércio, serviços e turismo no coração de Curitiba.
Transporte sob demanda
O projeto também prevê a implantação de um modelo de transporte sob demanda, que funcionará de forma semelhante a aplicativos de carona. O usuário poderá solicitar a viagem pelo aplicativo, acompanhar o veículo em tempo real e efetuar o pagamento digitalmente.
Essa modalidade será integrada ao sistema convencional e deve atender bairros com menor fluxo de passageiros ou demanda variável, reduzindo custos e otimizando o uso da frota.
Revisão de linhas e frota elétrica
A nova concessão inclui ainda a revisão de 26 linhas de baixa demanda, com ajustes de itinerário e integração temporal para evitar sobreposição de trajetos. O plano prevê também a ampliação da frota elétrica, novos indicadores de qualidade e integração total entre linhas e modais.
Atualmente, o Sistema Integrado de Mobilidade (SIM) de Curitiba conta com 309 linhas, 22 terminais, 329 estações-tubo, 1.189 ônibus e 555 mil passageiros pagantes por dia útil — o que representa 6,4 milhões de viagens por mês.
Consulta pública e cronograma
A consulta pública sobre o novo modelo de transporte segue aberta até 17 de outubro, permitindo que a população envie sugestões e participe da construção do edital. Uma audiência pública será realizada no dia 15 de outubro, no Salão de Atos do Imap Barigui.
A previsão é que o edital seja publicado em novembro de 2025, com leilão em janeiro de 2026 e início da transição em junho do mesmo ano. O contrato terá prazo de 15 anos e investimentos estimados em R$ 3,7 bilhões.
