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Debate Aponta Dependência do Brasil em Relação às Big Techs

Brasil Debate Soberania Tecnológica em Reunião do BRICS

08/10/2025 – 17:07

Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

Debate contou com representantes do Brasil, da China e da Índia

Na quarta-feira (8), a Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara dos Deputados promoveu um debate sobre a dependência do Brasil em relação às grandes empresas de tecnologia. O encontro, solicitado pelo deputado Fausto Pinato (PP-SP), reuniu representantes de países do BRICS para discutir a construção de uma infraestrutura tecnológica própria e a necessidade de cooperação entre as nações emergentes.

Soberania Tecnológica em Debate

Os participantes destacaram a importância da soberania tecnológica para garantir a autonomia de países e cidadãos na era digital. A presidente do Fórum para Tecnologia Estratégica dos BRICS+, Isabela Rocha, criticou a atual dependência do Brasil. Apesar de ser um dos países que mais utilizam smartphones e possuir um polo industrial em Manaus, o Brasil ainda importa a maior parte de sua infraestrutura tecnológica.

Desafios da Dependência

Rocha ressaltou que tanto o cotidiano de trabalho quanto o de lazer no Brasil dependem de plataformas estrangeiras. Além disso, a regulação dessas empresas ocorre em outros países, o que leva ao processamento de dados brasileiros fora do território nacional. “Onde estamos promovendo nossos valores e preservando nossa cultura? Isso não acontece se a infraestrutura não for nossa”, afirmou.

Poder de Mercado do BRICS

O consultor Xiao Youdan, de Pequim, alertou para a concentração tecnológica em poucos países, que prejudica a diversidade econômica e impõe padrões distantes da realidade do sul global. Ele destacou que o BRICS, que representa cerca de 40% da economia mundial, possui o poder de mercado necessário para influenciar mudanças globais.

A Necessidade de Regulação

Ergon Cugler, do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, enfatizou que a soberania digital começa com questionamentos sobre quem controla a tecnologia e com quais objetivos. Ele defendeu a urgência de uma regulação eficaz, alertando que a falta de legislação deixa o Brasil vulnerável a padrões estabelecidos por países estrangeiros. Cugler também apontou que os recursos gastos com serviços externos poderiam ser destinados à criação de infraestrutura própria, como datacenters.

Cooperação Global e Hegemonia

O major-general Pawan Anand, da Índia, frisou que o desafio tecnológico é global e envolve também aspectos econômicos e geopolíticos. Ele ressaltou a importância de construir relações de confiança entre os países do BRICS para fomentar a interdependência mútua e a troca de tecnologias, evitando a hegemonia de qualquer nação dentro do bloco.

Fortalecimento das Parcerias no BRICS

O diretor do Instituto de Intercâmbio Cultural e Desenvolvimento Econômico dos Países do BRICS+, Luan Scliar, defendeu que, embora o grupo ainda não tenha caráter vinculante, é fundamental fortalecer parcerias para desenvolver tecnologia, pesquisa e formação profissional no Brasil.

O debate foi conduzido pelo deputado Dr. Zacharias Calil (União-GO).

Reportagem – Noéli Nobre
Edição – Geórgia Moraes

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