O plano de paz para Gaza, proposto por Donald Trump e aceito “sob condições” pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, gerou uma série de reações na última terça-feira (29). Especialistas analisam a proposta, destacando suas potencialidades e desafios, além de críticas referentes à figura de Tony Blair no comando da comissão de transição.
Pontos Principais do Plano de Paz
Entre os principais pontos do plano apresentado por Trump estão a interrupção imediata da guerra, a libertação dos reféns em até 72 horas e a retirada gradual das forças israelenses. O ex-presidente dos Estados Unidos deverá liderar um comitê de paz administrativo durante a transição em Gaza.
Desafios para Implementação
David Rigoulet-Roze, especialista do Instituto Francês de Análise Estratégica, descreve o plano como “sólido, embora difícil de implementar”. Ele ressalta a forte pressão de Trump para resolver o conflito, mas alerta que ainda falta a posição do Hamas quanto aos termos propostos. Segundo ele, o movimento palestino, que controla a Faixa de Gaza, “terá dificuldade em recusar” a proposta. O Catar, afirma Rigoulet-Roze, tem a capacidade de convencer o Hamas a aceitar o plano, que exige a liberação total de reféns em até 72 horas.
Críticas ao Egocentrismo de Trump
Souhire Medini, especialista em Oriente Médio, critica o que considera uma marca do “egocentrismo” de Trump no plano de paz. “O vocabulário utilizado não é o do direito internacional, mas o da economia, que Trump valoriza”, afirma. Ela acredita que isso pode desmotivar os palestinos, dando a impressão de que sua autonomia está sendo desconsiderada. No entanto, Medini nota uma evolução em relação à proposta anterior, que sugeria que os Estados Unidos controlassem a Faixa de Gaza. “Agora, fica claro que o objetivo é permitir que os habitantes permaneçam em Gaza”, compara.
Possibilidade de Protetorado
Éric Danon, ex-embaixador da França em Israel, considera a proposta de Trump concreta e potencialmente decisiva. Ele afirma que a proposta oferece uma “saída não humilhante” para o Hamas, sugerindo o exílio de seus líderes no Catar e anistia aos militantes que aceitarem depor as armas. Danon observa que o Hamas terá um prazo de três dias para responder. Caso aceite, acredita que isso poderá resultar em uma mudança significativa para a situação em Gaza.
Danon também estabelece uma comparação entre a possível governança de Gaza, presidida por Trump, e o protetorado britânico que administrou a Palestina de 1920 a 1948. Ele expressa preocupações sobre a escolha de Tony Blair como braço direito de Trump, ressaltando que a história britânica na Palestina foi controversa. Por fim, Danon señala a exclusão da França, que recentemente liderou o reconhecimento do Estado palestino na ONU, do processo de governança. “Uma governança pelas Nações Unidas e um sistema liderado pela Autoridade Palestina está, por enquanto, irrealizável”, conclui.
📲 Receba as notícias de Curitiba no WhatsApp!
Participe do grupo do Busão Curitiba e fique por dentro de tudo que acontece na cidade. Entrar no grupo ›



