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Lula Defende Soberania e Apoia Novo Órgão Global para Ação Climática na ONU

Durante seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abordou a atual desordem internacional e a crise climática, além de ressaltar a importância da democracia e da soberania. A seguir, os principais pontos abordados pelo líder brasileiro durante sua fala.

Desordem Internacional e Soberania

O presidente Lula iniciou sua fala alertando para a “consolidação de uma desordem internacional”, caracterizada por “seguidas concessões à política do poder”. Em sua visão, atentados à soberania, sanções arbitrárias e intervenções unilaterais estão se tornando normais.

Ele afirmou que a democracia e a soberania são “inegociáveis” e criticou medidas unilaterais contra instituições e economias nacionais, destacando que “a agressão contra a independência do Poder Judiciário é inaceitável”.

Crise Climática: COP30 e Compromissos Globais

No que diz respeito à crise climática, Lula falou sobre a COP30, que ocorrerá em novembro no Brasil, afirmando que “será a COP da verdade”. Ele ressaltou a importância desse evento para que líderes globais demonstrem seu comprometimento com a proteção do planeta.

O presidente enfatizou que muitos países ainda não apresentaram versões atualizadas de seus planos climáticos nacionais. O Brasil se comprometeu a reduzir entre 59% e 67% suas emissões de gases de efeito estufa, abrangendo todos os setores da economia. Lula convocou outros líderes a agir, frisando que “bombas e armas nucleares não nos protegerão da crise climática”.

Ação Climática na ONU

O líder brasileiro defendeu a criação de um Conselho vinculado à Assembleia Geral para monitorar compromissos climáticos, considerando essa ação um “passo fundamental” para uma reforma abrangente da ONU, que também incluiria um Conselho de Segurança ampliado.

Combate à Fome e à Pobreza

Ao tratar de questões sociais, Lula destacou falhas da democracia, como a desigualdade de gênero e a culpabilização de migrantes pelas mazelas sociais. Ele expressou orgulho pela confirmação da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) de que o Brasil sairá do Mapa da Fome em 2025, embora existam ainda 670 milhões de pessoas famintas no mundo.

Para melhorar a situação, Lula propôs cortes nos gastos com guerras, aumento da ajuda ao desenvolvimento e a definição de padrões mínimos de tributação global.

Conflito em Gaza e Direitos Humanos

Sobre o conflito em Gaza, Lula condenou os atentados do Hamas, mas afirmou que nada justifica o genocídio em curso na região. “Sob toneladas de escombros, há dezenas de milhares de mulheres e crianças inocentes”, disse ele, reforçando que a fome é usada como arma de guerra e criticando o deslocamento forçado da população.

Regulação da Internet e Inteligência Artificial

O presidente expressou preocupação com o uso de plataformas digitais para disseminar intolerância e desinformação, afirmando que a internet não pode ser uma “terra sem lei”. Lula defendeu uma regulação que não restrinja a liberdade de expressão, mas que impeça comportamentos já ilegais no mundo real de ocorrerem no ambiente virtual.

O Brasil também está trabalhando em iniciativas para fomentar a concorrência no mercado digital e instalar datacenters sustentáveis, além de buscar uma governança multilateral em inteligência artificial, alinhada ao Pacto Digital Global.

*Felipe de Carvalho é redator da ONU News.

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