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Comissão pede investigação sobre desabamento de aterro sanitário no DF

09/09/2025 – 16:21  

Aterro Sanitário Ouro Verde em Padre Bernardo é Interditado Após Deslizamento de Lixo

O aterro sanitário Ouro Verde, localizado em Padre Bernardo, Goiás, foi interditado em junho após um deslizamento de lixo que levantou preocupações sobre a gestão de resíduos na área. O local, que recebia resíduos principalmente de cidades do entorno e do Distrito Federal, operava irregularmente dentro da área de proteção ambiental da bacia do rio Descoberto.

Debate na Comissão de Legislação Participativa

A Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados se reuniu para discutir o caso, a pedido da deputada Erika Kokay (PT-DF). O encontro contou com a participação de especialistas e autoridades para abordar os impactos ambientais, sociais e econômicos relacionados ao aterro.

Recomendações da Comissão

Como resultado da reunião, a comissão decidiu propor os seguintes requerimentos:

  • Visitas técnicas ao local pelas Comissões de Meio Ambiente e Direitos Humanos;
  • Investigação pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre a autorização de funcionamento do aterro;
  • Apresentação de um diagnóstico sobre os danos e um plano de recuperação da área por órgãos ambientais, como a Secretaria de Meio Ambiente de Goiás e o ICMBio;
  • Investigação do caso pela Polícia Federal.

Além disso, será solicitado à Agência Nacional de Águas (ANA) a criação de um comitê para a bacia do rio do Sal e informações sobre a instalação de termelétricas e o loteamento Ouro Verde.

Fragilidade na Gestão de Resíduos

Marcelo Martines Sales, representante da Superintendência de Fiscalização e Controle Ambiental de Goiás, destacou a fragilidade na gestão de resíduos, afirmando que muitos municípios ainda operam de forma irregular, sem controle suficiente sobre chorume e gases. “A política nacional de resíduos sólidos busca erradicar os lixões, mas ainda há um longo caminho pela frente”, afirmou.

Comitê de Crise em Ação

A Secretaria de Saúde de Goiás formou um comitê de crise para lidar com os impactos do deslizamento. Cristina Paragó, gerente de emergências em saúde pública, informou que o grupo está monitorando a qualidade da água e controlando a proliferação de moscas. “Temos protocolos definidos para a avaliação de risco e vigilância da saúde da população”, declarou.

Consequências Ambientais e Sociais

O deslizamento de lixo poluiu a bacia do rio do Sal e afetou o córrego Santa Bárbara, o que comprometeu a fauna local, a produção rural e o abastecimento de água. Apesar das tentativas do Ministério Público de Goiás e de órgãos ambientais para embargar o aterro, ele continuou a operar.

Lúcia Mendes, representante do Fórum Defesa das Águas, do Clima e do Meio Ambiente do Distrito Federal, expressou sua preocupação com os efeitos na população. “Há famílias sem acesso à água, convivendo com infestações de moscas. Estamos vivendo tragédias que poderiam ser evitadas”, afirmou, comparando a situação a desastres como os de Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais.

Reportagem – Luiz Cláudio Canuto
Edição – Geórgia Moraes

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