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União Europeia deve propor acordo comercial com Mercosul apesar da oposição da França

O acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul será apresentado para aprovação nesta quarta-feira (3). Este passo é visto como uma oportunidade para países como a Alemanha e outros membros da UE buscarem novos mercados e compensarem as tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos sob a administração de Donald Trump, especialmente frente às críticas da França, que se opõe ao pacto.

Histórico do Acordo

A União Europeia e os países do Mercosul, que incluem Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, finalizaram as negociações do acordo em dezembro de 2022, após um processo que se arrastou por aproximadamente 25 anos.

Próximos Passos para Aprovação

Agora, o pacto será submetido à apreciação do Parlamento Europeu e exigirá o apoio de 15 dos 27 Estados membros da UE, que representem pelo menos 65% da população do bloco. Não há garantias de que a aprovação ocorrerá.

Argumentos Favoráveis

A Comissão Europeia, juntamente com países como Alemanha e Espanha, defende que o acordo pode compensar a perda de comércio causada pelas tarifas dos EUA e reduzir a dependência da UE em relação à China, especialmente no que diz respeito a minerais essenciais.

Desde a reeleição de Trump, a UE intensificou seus esforços para formar novas alianças comerciais, acelerando diálogos com nações como Índia, Indonésia e Emirados Árabes Unidos, além de fortalecer laços com parceiros existentes, como Reino Unido, Canadá e Japão.

Este acordo é considerado o maior da UE em termos de reduções tarifárias e parte do esforço para diversificar suas relações comerciais.

Opiniões Contrárias

A França, maior produtora de carne bovina da UE e a principal crítica ao acordo, classificou-o como “inaceitável”. Agricultores europeus protestaram, alegando que o pacto permitiria a entrada de produtos sul-americanos a preços baixos, que não atenderiam aos rígidos padrões de segurança alimentar e ambiental da UE. A Comissão Europeia rejeita essa alegação.

Grupos ecologistas, como a organização Friends of the Earth, também condenam o acordo, chamando-o de “destruidor do clima”. Esses grupos esperam bloquear a aprovação do pacto, seja no Parlamento Europeu, onde a oposição é forte, ou entre os governos da UE, podendo ganhar força caso Polônia e Itália se unam à França em sua crítica.

Perspectivas para o Mercosul

Os defensores do acordo consideram o Mercosul um mercado promissor para exportações europeias de veículos, máquinas e produtos químicos. Além disso, destacam a importância do Mercosul como fornecedor de minerais essenciais para a transição verde da Europa, como lítio metálico para baterias.

Os benefícios agrícolas também são enfatizados, com o pacto oferecendo maior acesso e tarifas reduzidas para produtos como queijos, presunto e vinho da UE.

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