Paraná Avança em Genômica com Novo Arranjo de Pesquisa
O Governo do Estado do Paraná, por intermédio da Fundação Araucária e da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), lançou o Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) em Saúde Pública de Precisão. Com um investimento de R$ 10,9 milhões, a iniciativa visa posicionar o estado na vanguarda dos estudos de genômica clínica no Brasil.
Objetivo do NAPI: Saúde Pública de Precisão
O NAPI tem como meta sequenciar e analisar o genoma de pacientes atendidos pelo SUS, utilizando os conceitos de Saúde Pública de Precisão. O projeto busca aprofundar o entendimento das bases genéticas das doenças que afetam a população paranaense, o que poderá aperfeiçoar diagnósticos e avaliar sua integração na rotina clínica. Espera-se realizar o sequenciamento de 2.328 genomas humanos completos.
Declarações de Especialistas
Fábio Passetti, pesquisador do Instituto Carlos Chagas da Fundação Fiocruz-PR e articulador do NAPI, afirmou que o laboratório já possui estudos em andamento e que essa nova estrutura pesquisa permitirá diagnósticos e tratamentos mais precisos. “O sequenciamento do genoma completo nos possibilita uma análise específica para identificar alterações genéticas vinculadas a várias doenças”, explicou.
Eduardo Marafon, diretor-presidente do Tecpar, também enfatizou a relevância do NAPI para a compreensão das doenças que afligem os paranaenses, afirmando que a ação propiciará um diagnóstico mais ágil e a melhoria no tratamento dos pacientes.
Um Marco na Medicina Genética
Salmo Raskin, médico e diretor científico da Sociedade Brasileira de Genética Médica e Genômica, ressaltou que o foco dos estudos será em pacientes com doenças raras. Atualmente, cerca de 6% da população brasileira sofre de tais condições, sendo que 80% delas têm causas genéticas. “O NAPI reduzirá significativamente o tempo de espera entre o surgimento dos sintomas e o diagnóstico, o que pode salvar vidas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes”, afirmou Raskin.
Integração e Parcerias Estratégicas
A Fundação Araucária já conta com 47 NAPIs em execução, destacando este novo como um projeto excepcional, por envolver diversas instituições, incluindo oito hospitais e pesquisadores de várias universidades. Para o presidente da Fundação, Ramiro Wahrhaftig, isso representa um avanço crucial nas ciências da vida e saúde no Paraná.
Marcos Aurelio Pelegrina, diretor de Ciência e Tecnologia da Seti, ressaltou que o Paraná sai na frente em medicina de precisão por meio do SUS, reforçando a estratégia de levar essa medicina avançada à população que necessita.
A colaboração entre instituições permite não apenas a troca de recursos financeiros e tecnológicos, mas também a criação de um ambiente dinâmico que potencializa o impacto social e científico dos projetos. Fabiano Borges Figueiredo, diretor do Instituto Carlos Chagas-Fiocruz/PR, destacou a importância da rede de pesquisa para enfrentar desafios sociais.
Importância do Investimento em Tecnologia
Fabrício Marchini, do Instituto de Biologia Molecular do Paraná-IBMP, sublinhou a relevância de investir em tecnologia de ponta para a saúde pública. “O IBMP se propõe a ser um centro de referência em biotecnologia e, aqui, podemos aplicar conhecimento avançado em saúde pública”, afirmou.
A representante da Aliança Paranaense de Doenças e Síndromes Raras, Shirley Ordônio, enfatizou a necessidade de uma rede de pesquisa para evitar a perda de pacientes devido à falta de conhecimento e tratamento de síndromes e doenças raras, representando os interesses de cerca de 30 instituições dessa área.
