A Coleção Júlia Wanderley, com mais de 1.200 imagens, preserva um importante registro da história de Curitiba e pode ser vista na Casa da Memória, da Fundação Cultural de Curitiba. A coleção é uma janela para o passado da cidade, capturando o cotidiano e as transformações de um período marcante.
Uma Pioneira da Educação e da Memória
Júlia Wanderley (1874-1918), reconhecida como pioneira, abriu caminhos para muitas mulheres. Professora, escritora e cronista, foi a primeira mulher diplomada professora no Paraná em 1892. Desde cedo, destacou-se pela formação intelectual que recebeu em sua casa, influenciada por seu pai, Affonso Guilhermino Wanderley, um pintor que valorizava a cultura. A trajetória de Júlia a levou a ocupar cargos de relevância, como o de diretora da antiga Escola Tiradentes em Curitiba, a primeira mulher a ter essa posição no estado.
Júlia também foi uma visionária ao preservar a memória da cidade. Durante um período de grandes mudanças em Curitiba, ela começou sua coleção de fotografias, postais e retratos, que incluíam imagens recebidas por correspondência, compradas em estúdios fotográficos ou presenteadas por amigos. Com seu olhar apurado, suas anotações enriqueceram as imagens, proporcionando uma visão detalhada do cotidiano curitibano.
A Documentação do Cotidiano
A coleção não é apenas volumosa, mas também rica em significado. Cada imagem é acompanhada de anotações escritas à mão, que incluem datas, nomes e eventos. Um exemplo notável é a descrição detalhada do Mercado Municipal de Curitiba, datada de 1906, que revela a história da construção do local. Outros cartões postais, como um da Praça Tiradentes datado de 1905, contam sobre momentos pessoais de Júlia, como o local onde conheceu seu marido.
“Para ela, os cartões-postais eram mais que um hobby. Eram registros históricos que formavam um retrato da cidade em expansão”, afirma Angela Medeiros, pesquisadora da Fundação Cultural de Curitiba.
Preservação e Acesso ao Patrimônio Histórico
A coleção foi doada ao Instituto Histórico e Geográfico do Paraná nos anos 1970 por Julinho, sobrinho de Júlia. Em 1993, um acordo entre o Instituto e a Fundação Cultural de Curitiba garantiu a reprodução e a guarda do acervo, que atualmente faz parte da Casa da Memória. Grande parte das imagens já foi digitalizada e está disponível para consulta pública.
“Essa documentação iconográfica é uma das mais importantes para entender a Curitiba das primeiras décadas do século 20”, destaca Angela. Júlia Wanderley, com seu trabalho silencioso, desempenhou um papel fundamental na preservação da memória urbana da cidade.
Como Acessar a Coleção
Para visitar a Coleção Júlia Wanderley, interessados devem solicitar acesso por e-mail ([email protected]) ou comparecer diretamente na Casa da Memória, localizada na rua São Francisco, 319 – São Francisco. O horário de funcionamento é de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 18h.
