Expectativas e Temores na Cúpula EUA-Rússia
Na madrugada de sábado (16/08), muitos ucranianos permaneceram em vigília, na expectativa de resultados da cúpula realizada no Alasca entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder russo, Vladimir Putin. Enquanto alguns nutriram esperanças de avanços nas negociações que poderiam culminar no fim da guerra da Rússia contra a Ucrânia, outros expressaram receios de que isso implicasse concessões territoriais por parte de Kiev.
A tensão aumentou quando Trump mencionou a líderes europeus que um acordo de paz poderia ser possível se a Ucrânia aceitasse ceder a região de Donbass à Rússia, segundo agências de notícias. Este tema está previsto para ser discutido na reunião entre Trump e o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, marcada para a segunda-feira (18/08) em Washington.
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O especialista ucraniano Oleksandr Kraiev, do think tank Prism, afirmou que não houve resultados concretos para a Ucrânia após a cúpula. “Graças a Deus nada foi assinado e nenhuma decisão radical foi tomada”, comentou. Ele reforçou que a operação foi uma manobra de informação bem-sucedida para a Rússia, destacando a deferência de Trump em relação a Putin. “Putin fez o que quis”, concluiu.
Ivan Us, do Centro de Política Externa do Instituto Nacional de Estudos Estratégicos da Ucrânia, também expressou dúvidas sobre as intenções de Putin. Para ele, o russo buscava legitimar-se e acabar com seu isolamento internacional, utilizando a fotografia ao lado de Trump como um símbolo de superação.
Após a cúpula, Dmitry Medvedev, presidente do Conselho de Segurança da Rússia, anunciou a restauração de um “amplo mecanismo de reuniões” entre os EUA e a Rússia, ressaltando que negociações sem pré-condições foram estabelecidas mesmo com a continuidade da operação militar, como o Kremlin se refere à guerra na Ucrânia.
Incertezas Persistem
Us acredita que a cúpula não aproximou a paz, mas intensificou a confusão, com as duas potências emitindo declarações contraditórias sobre uma possível conversa trilateral que incluiria Zelensky. O próprio presidente ucraniano confirmou ter recebido um convite para discutir a proposta de Trump.
Preocupações em Kiev
Há crescente preocupação na Ucrânia de que a visita de Zelensky a Washington possa resultar em novas pressões. A deputada Iryna Herashchenko advertiu que qualquer negativa por parte da Ucrânia poderia ser interpretada como falta de disposição para encerrar a guerra, potencialmente legitimando as exigências de Moscou.
Por outro lado, o cientista político Vadym Denisenko observou que a tentativa da Rússia de negociar se mostrou fraca, embora Trump e Putin tenham concordado em manter um diálogo. Ele acredita que Putin “perdeu a capacidade de manobra” e está se aproximando da China.
Indignação Pública
A recepção de Putin em solo americano, incluindo a extensão de um tapete vermelho em sua chegada, provocou indignação entre os ucranianos. Mustafa Nayyem, ex-membro do parlamento, criticou a honraria concedida ao líder russo, associando-a a um “tipo especial de vergonha”, destacando o histórico de violência e agressões cometidas na Ucrânia.
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