A cartilha é uma das ações previstas pela CRIA durante a semana em que se comemora o Dia Estadual das Altas Habilidades/Superdotação (10 de agosto).
Créditos: Divulgação/Assessoria Parlamentar
A Comissão de Defesa dos Direitos da Criança, do Adolescente e da Pessoa com Deficiência (CRIA) lançou uma cartilha destinada a educadores, famílias e à sociedade, com o objetivo de aumentar a visibilidade sobre alunos com altas habilidades/superdotação (AH/SD) no Paraná. O material faz parte das ações em homenagem ao Dia Estadual das Altas Habilidades/Superdotação, celebrado em 10 de agosto.
Conteúdo da Cartilha
A cartilha oferece orientações sobre a identificação de AH/SD, suas características intelectuais e emocionais, e os direitos legais dessa população e de suas famílias. O presidente da CRIA, deputado estadual Evandro Araújo (PSD), destacou a importância desse recurso, afirmando que a falta de informações disponíveis torna essa população vulnerável e invisível. O material foi desenvolvido com uma linguagem acessível, após diálogos com especialistas, famílias e estudantes.
Colaboração de Especialistas
O conteúdo foi estruturado com base em evidências científicas e teve a contribuição de especialistas como a professora Laura Ceretta Moreira, doutora em neurociência na educação, e a neuropsicopedagoga Solange Klinger. Lucinéia Menezes Meister também participou, trazendo a perspectiva de uma mãe de criança com altas habilidades.
Dados de Identificação no Brasil
Embora a National Association for Gifted Children tenha estimado que 10% da população mundial apresente traços de superdotação, no Brasil a identificação é alarmantemente baixa. O Censo Escolar 2024 revelou apenas 44.171 estudantes com AH/SD, representando 0,09% dos 47,1 milhões de alunos matriculados. No Paraná, 10.135 estudantes foram oficialmente identificados, mas existem grandes variações entre cidades. Curitiba, Londrina e Maringá se destacam nos números.
Desafios e Estigmas
O deputado Araújo abordou a necessidade de conscientização, afirmando que o estereótipo de que crianças superdotadas conseguiriam se desenvolver sem ajuda é prejudicial. Sem acompanhamento adequado, essas crianças podem enfrentar problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade, levando à evasão escolar.
Legislação e Iniciativas Estaduais
O Paraná se destacou por legislar sobre o tema, sendo um dos primeiros estados a criar uma legislação específica. A Lei Estadual 21.743/2023, proposta por Araújo, estabelece diretrizes para ações e políticas públicas voltadas ao desenvolvimento das potencialidades de educandos com AH/SD, assim como para a capacitação dos educadores. A lei também instituiu o dia 10 de agosto como o Dia Estadual das Altas Habilidades/Superdotação.
“Essa cartilha, portanto, faz parte do cumprimento dessa lei, que prevê também a conscientização, a formação e a capacitação. Atingiremos nosso objetivo somente com informações de qualidade e fundamentadas”, concluiu Araújo.
