Espírito de Paulo Leminski é incorporado em terreiro de Curitiba
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Marcos Zibordi
Resumo
Mãe de santo recebe o espírito de Paulo Leminski no Terreiro de Umbanda Pai Maneco, em Curitiba. A instituição, liderada por uma amiga pessoal do poeta, evita a exposição midiática de histórias inéditas contadas em seus rituais.
O poeta curitibano Paulo Leminski (1944-1989), homenageado na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).
Foto: João Urban
O poeta Paulo Leminski, que faleceu em 1989, é incorporado em rituais no Terreiro de Umbanda Pai Maneco, um dos maiores de Curitiba, PR. As incorporações, que foram mais frequentes após sua morte, tornaram-se raras e discretas ao longo dos anos.
Lucilia Guimarães, mãe de santo e responsável pelo terreiro, explica: “Sou muito respeitosa a Paulo e não desejo que a incorporação se torne uma pauta midiática. Ele chega discretamente, me pede um cigarro e um abraço, e eu não quero que ele se exponha.”
Maria Cristina Mendes, que recebe o espírito de Paulo Leminski no terreiro Pai Maneco, em Curitiba (PR).
Foto: Divulgação
O terreiro, localizado no bairro Santa Cândida, realiza 14 giras por semana, atraindo milhares de fiéis. Maria Cristina Mendes, outra mãe de santo de 63 anos com mais de quatro décadas de atuação na umbanda, serve como um canal para Leminski retomar contato com pessoas como Lucilia, que foram amigas do poeta enquanto ele estava vivo.
Leminski e a Musica de Terreiro
A conexão entre a mãe de santo e o poeta vai além do espiritual. Cristina Mendes, professora da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), realizou pesquisas em mestrado e doutorado sobre Leminski. Ela relata que, incorporada, vivenciou momentos engraçados com o poeta.
Durante essas incorporações, foi composta uma música em parceria com Raul Seixas, outro ícone da música brasileira que também faleceu em 1989. Lucilia confirma a autoria da canção, que é executada em todas as sessões do terreiro.
Terreiro Pai Maneco, fundado por Fernando Guimarães, Pai Fernando de Ogum, em Curitiba (PR).
Foto: Divulgação
Além desse pacto musical, um segundo ponto foi criado em homenagem a Ogum, levado ao terreiro uma semana após a morte de Leminski, originando-se de um laço próximo que ele possuía. Esta música é executada em um momento especial dos rituais, quando os participantes se reúnem para um passe coletivo.
Reflexões sobre a Presença de Leminski no Terreiro
Lucilia e Cris compartilham suas reflexões sobre a relação de Paulo Leminski com o terreiro. Cris afirma: “Se ele incorpora em mim, significa que tem a autorização de espíritos iluminados. Acredito que ele viesse mais aqui por sua preocupação com o legado poético.”
Interior do terreiro Pai Maneco, em Curitiba. Casa de umbanda foi fundado em 1987, no dia de Iemanjá, 02 de fevereiro.
Foto: Divulgação
Lucilia complementa, afirmando que hoje o poeta não precisa provar nada para ninguém. Ela observa que a luta contra o álcool foi um desafio em vida e no plano astral, assim como enfrentou Raul Seixas, que mencionou “os símbolos sagrados de umbanda” em suas músicas. Lucilia destaca que, quando Leminski se manifesta, é de uma maneira mais cotidiana. Para Cris, o fato de sua presença estar rareando pode significar que “ele pode ter transcendido de vez”.
