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Escravos: Três Condenados por Exploração de Imigrantes na França

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Três condenados por exploração de trabalhadores na colheita de uvas em Champanhe

Em uma decisão histórica, o Tribunal de Châlons-en-Champagne condenou três pessoas a penas de prisão por explorarem aproximadamente cinquenta trabalhadores, muitos imigrantes sem documentos, em condições indignas durante a colheita de uvas de 2023 na célebre região vinícola da Champanhe. A sentença foi proferida nessa segunda-feira, 21 de julho.

Penas aplicadas

A principal ré, diretora da empresa Anavim, foi condenada a quatro anos de prisão, com dois anos a serem cumpridos em regime fechado. Ela foi acusada de trabalho dissimulado, contratação de estrangeiros sem autorização e pagamento de salários insuficientes. Outras duas pessoas envolvidas no recrutamento dos trabalhadores foram condenadas a penas de dois e três anos, sendo uma delas também sentenciada a cumprir pena em regime fechado.

Condições degradantes

O tribunal qualificou os atos como de “gravidade excepcional”. Os trabalhadores eram alojados em um prédio insalubre, com sanitários em estado deplorável, instalações elétricas perigosas e colchões no chão, além de receberem salários considerados insuficientes pela justiça. Em consequência, a empresa Anavim foi determinada a ter sua sociedade dissolvida e uma cooperativa vinícola que comprava as colheitas foi multada em 75 mil euros. As vítimas receberão uma indenização de 4 mil euros cada.

Relatos de vítimas

Durante o julgamento, as condições de trabalho foram descritas como desumanas. O trabalhador Modibo Sidibe relatou que os empregados eram abrigados em um edifício abandonado sem comida ou água, trabalhando das 5h às 18h sem pausa. Outro trabalhador, Camara Sikou, resumiu a situação, afirmando que eram tratados “como escravos”.

Reação do Comitê Champagne

O Comitê Champagne, representando 16.200 vinicultores, 130 cooperativas e 370 casas de champanhe, participou do processo como parte civil. Em nota, o Comitê afirmou que “tinha o dever de se posicionar ao lado das vítimas”, enfatizando a importância de proteger a saúde e segurança dos trabalhadores temporários, bem como a reputação da denominação.

Outros casos em andamento

Um novo julgamento está marcado para o dia 26 de novembro em Châlons-en-Champagne, onde uma empresa prestadora de serviços e seu gerente serão acusados de alojar cerca de quarenta trabalhadores ucranianos em condições semelhantes durante as colheitas de 2023.

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