Um incidente que envolveu mais de 200 alunos de um jardim de infância no noroeste da China, os quais apresentaram níveis elevados de chumbo no sangue, gerou uma onda de desconfiança em relação ao governo local. A população questiona a veracidade dos resultados de uma investigação oficial sobre a contaminação.
Detenções e investigação
As autoridades de Tianshui, na província de Gansu, confirmaram a detenção de oito indivíduos, incluindo o diretor do Jardim de Infância Heshi Peixin. A investigação aponta que 233 alunos foram expostos ao chumbo devido ao uso de tinta não comestível pelos funcionários da cozinha como corante alimentar.
Reações da população
Este caso levantou sérias preocupações em um país que já enfrentou escândalos relacionados à segurança alimentar e ambiental. Entretanto, a indignação inicial rapidamente transformou-se em desconfiança pública em relação ao tratamento dado pelas autoridades locais a estes episódios, em um contexto de escassas fiscalizações independentes.
Casos anteriores, como as detenções de cidadãos em Wuhan durante o início da pandemia de Covid-19, reforçam esse sentimento de desconfiança, uma vez que aqueles que tentavam alertar sobre a propagação do vírus foram penalizados.
Ceticismo nas redes sociais
Nas redes sociais, muitos expressam dúvidas sobre a credibilidade do relatório governamental e da cobertura mediática estatal. Algumas discussões foram censuradas, embora outros artigos em torno do caso permaneçam ativos.
Uma mãe de Tianshui, cuja criança não estuda na escola envolvida, manifestou à CNN a desconfiança generalizada entre os pais sobre as conclusões da investigação. “Todos os pais acreditam que a comida não é a verdadeira fonte do envenenamento por chumbo. Mas não sabemos as razões exatas… como podemos saber de alguma coisa?” disse, sob condição de anonimato.
Resultados divergentes de testes
As análises levantaram preocupações sobre possíveis discrepâncias entre os exames sanguíneos realizados em Tianshui e aqueles feitos em hospitais de Xi’an. Resultados de exames em Tianshui não foram divulgados ao público.
Uma mãe relatou que, enquanto um departamento de Tianshui indicou que os níveis de chumbo de sua filha estavam normais, um hospital em Xi’an encontrou 528 microgramas por litro no sangue da criança — considerado um nível de “intoxicação grave” segundo as diretrizes oficiais.
Investigação em andamento
Relatos indicam que 70 crianças testadas em Xi’an apresentaram níveis elevados de chumbo no sangue, com seis casos ultrapassando 450 microgramas por litro. O governo afirma que a coleta de amostras abrangeu o jardim de infância e escolas afiliadas, incluindo alimentos, água e solo.
Resultados de amostras de alimentos revelaram níveis de chumbo acima de 2.000 vezes os padrões de segurança alimentar. No entanto, muitos questionam como as crianças poderiam ter sido tão gravemente intoxicadas, dado que apenas consumiam determinadas refeições com baixa frequência.
Preocupações e comparação com o passado
O caso atual ecoa um escândalo de 2006 na mesma região, quando mais de 200 moradores tiveram altos níveis de chumbo no sangue, cuja origem nunca foi oficialmente esclarecida. O incidente chamou a atenção de mensagens proeminentes nas redes sociais, com apelos por mais transparência e informações do governo.
Especialistas, como o professor Stuart Khan, destacam que níveis tão altos de chumbo no sangue normalmente indicariam exposição prolongada, sugerindo que uma análise estética das altas concentrações é imperativa para identificar fontes de contaminação.
Historicamente, o envenenamento por chumbo foi uma questão significativa na China. Em 2010, o governo implementou medidas para mitigar a poluição por metais pesados, após o registro de 12 casos que resultaram em mais de 4.000 pessoas com níveis elevados de chumbo no sangue.
