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Mupa e laboratório de física nuclear aplicada da UEL analisam obras de Iria Correa

Pesquisadores do Laboratório de Física Nuclear Aplicada (LFNA) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) realizaram um estudo em doze obras da artista paranaense Iria Corrêa, reconhecida como uma das pioneiras da produção artística no estado. A iniciativa ocorreu no Museu Paranaense (MUPA) e visa aprofundar a compreensão das técnicas e materiais utilizados pela artista, que fez significativo trabalho em retratos e naturezas mortas durante o século XIX.

Análise das Obras

Durante a pesquisa, foram empregadas sete técnicas de análise: Fluorescência de Raios X, Espectroscopias Raman e de Infravermelho Próximo, Ultravioleta (UV), Microscópio Digital, Colorímetro e ColorChecker. Essas metodologias permitem obter dados sobre a composição elementar e molecular das tintas utilizadas, identificar pontos de restauro, ampliar imagens específicas das obras e analisar as cores. Tais informações contribuirão para a criação de uma documentação científica voltada a cada uma das obras estudadas.

Histórico das Exposições

O MUPA já reconheceu o trabalho de Iria Corrêa em exposições anteriores, como “Em Foco: Iria Corrêa” em 2019 e a participação de suas obras na mostra “História das Mulheres: Artistas até 1900” realizada pelo MASP. Desde 2023, três de suas pinturas a óleo e um álbum de aquarelas estão em exibição na mostra “Objeto Sujeito”, que destaca o acervo histórico do museu.

Colaboração entre Ciência e Memória

A diretora do MUPA, Gabriela Bettega, comentou sobre a parceria com o LFNA, enfatizando que a colaboração fortalece o compromisso com a pesquisa e valoriza o legado de Corrêa. “Essa parceria une ciência e memória para ampliar o reconhecimento de uma artista pioneira no Paraná,” afirmou. A pesquisa é coordenada por Avacir Andrello, que também destacou a importância dos dados científicos na valorização das obras da artista.

Pioneirismo em Arqueometria

O LFNA é uma referência no Brasil em arqueometria desde a década de 1990 e conta com um laboratório móvel que facilita a realização de estudos em museus. O grupo já possui colaborações com instituições renomadas, como o MASP e o Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, além de projetos internacionais. Os materiais analisados abrangem uma variedade de obras, desde pinturas até artefatos arqueológicos.

“A caracterização arqueométrica das pinturas de Iria Corrêa é uma extensão das atividades realizadas pelo LFNA em parceria com o MUPA, incluindo estudos de objetos do acervo e de sítios arqueológicos com pinturas rupestres,” explicou Carlos Roberto Appoloni, coordenador do projeto, que recebe financiamento do CNPq.

Quem foi Iria Corrêa

Nascida em 20 de outubro de 1839, em uma família tradicional de Paranaguá, Iria Corrêa destacou-se desde jovem em música e pintura. Sua trajetória profissional marca uma época em que as mulheres eram frequentemente invisíveis nas artes. Com uma produção que inclui crayon, pastel, aquarela e óleo, ela abordou temas como santos, paisagens e retratos. Considerada uma das mulheres mais instruídas de sua geração, Corrêa foi a primeira mulher a se dedicar oficialmente à pintura no Paraná, sustentando sua família com seu trabalho. Iria faleceu em 14 de março de 1887, aos 48 anos.

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