A discussão sobre a prática ilegal de rabeiras, que envolve o uso de skates, bicicletas e outros meios de transporte presos às traseiras de ônibus em movimento, ganhou destaque em audiência pública realizada na Assembleia Legislativa do Paraná na terça-feira (13). O tema se tornou ainda mais relevante após a morte de um adolescente de 14 anos, que foi atropelado enquanto se segurava em um coletivo no dia 26 de setembro.
Combate à Prática Ilegal
A audiência pública, intitulada “Segurança no Transporte Coletivo: Combate ao Assédio, aos Furtos e à Prática de Rabeira nos Veículos”, foi proposta pela Comissão de Obras Públicas, Transportes e Comunicação, presidida pelo deputado Ney Leprevost (União). “Estamos aqui para que as autoridades ouçam as reclamações e sugestões de quem utiliza o transporte coletivo”, disse Leprevost.
Durante a abertura do evento, o deputado anunciou um projeto de lei que prevê sanções administrativas para aqueles que praticam rabeira, incluindo a apreensão do equipamento de transporte. “Quando afeta o bolso, as pessoas pensam duas vezes”, destacou Leprevost. O projeto será analisado pela Assembleia Legislativa e conta com a coautoria dos parlamentares Delegado Jacóvos (PL) e Pedro Paulo Bazana (PSD).
Impactos Psicológicos e Estratégias de Prevenção
Angelo Gulin Neto, presidente do Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba (Setransp), ressaltou os prejuízos psicológicos que motoristas enfrentam após acidentes, com muitos deles afastados do trabalho. “É muito triste ver o impacto nos condutores”, lamentou Gulin. Desde a fatalidade, o motorista do ônibus está em tratamento psicológico e sem previsão de retorno.
Gulin também comentou que tentativas anteriores de evitar rabeiras, como a instalação de estruturas nas traseiras dos ônibus, foram frustradas. A polícia, representada pela capitã Mayra Jaqueline Tonelli do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), afirmou que ações educativas e blitze em canaletas fazem parte da estratégia atual de prevenção, apesar das limitações na aplicação de infrações.
Violência e Segurança no Transporte Coletivo
Outros problemas, como importunação sexual e furtos, também foram abordados na audiência. Gulin mencionou que ocorreram cerca de 15 arrastões e 37 atos de depredação em ônibus somente neste ano. Além disso, seis denúncias de assédio foram registradas, com a qualidade do videomonitoramento em 65% dos coletivos destacada como uma ferramenta de combate.
Luiz Alberto Lenz César, diretor do Setransp, citou brigas entre torcidas organizadas como um dos obstáculos ao transporte público, gerando custos altos e interrompendo a operação dos coletivos. O delegado Ítalo Biancardi Neto sugeriu a necessidade de agilidade na troca de informações entre empresas de ônibus e a polícia para facilitar investigações.
Ações Futuras e Conscientização
A audiência também propôs a criação de um grupo permanente para tratar da segurança no transporte coletivo e a ampliação do videomonitoramento para 100% da frota, além de ações de reconhecimento facial e inserção de policiais civis disfarçados nos ônibus.
Diversas autoridades e representantes de entidades, como Priscila Antunes Vieira do Comtiba e Gilson de Jesus dos Santos da Amep, enfatizaram a necessidade de campanhas educativas para conscientizar a população sobre a importância da segurança no transporte coletivo. A luta contra a rabeira e outras práticas nocivas deve começar dentro das famílias e nas escolas, conforme ressaltaram os especialistas presentes.
