A recente ampliação da Operação BIG Citros trouxe novos esforços para proteger a citricultura no Paraná, especialmente contra o greening, uma doença que afeta de forma significativa os citros. Quarenta servidores da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) foram deslocados para as regiões de Cornélio Procópio e Londrina, no norte do estado, com atividades iniciadas na última segunda-feira (12) e que se estenderão até a próxima sexta-feira (16).
Objetivos da Operação
Segundo Caroline Garbuio, coordenadora do programa de Citricultura da Adapar, as ações visam à conscientização, fiscalização e intensificação de medidas de prevenção e controle do greening. Um levantamento prévio já mapeou os focos da doença nessas regiões, que são algumas das maiores produtoras de citros do estado.
Colaboração Ampla
Garbuio ressalta a importância da colaboração entre setores, afirmando que “o controle dessa doença somente será eficaz se realizado de forma conjunta”. O trabalho envolve não apenas a Adapar, mas também a Polícia Militar, prefeituras e a Cooperativa Agroindustrial Integrada, mostrando um esforço conjunto na luta contra a enfermidade.
Diretrizes Legais
A operação está em conformidade com as legislações Federal e Estadual sobre fitossanidade. Plantas hospedeiras de até oito anos com sintomas da doença precisam ser cortadas, assim como aquelas situadas a até 4 quilômetros de propriedades comerciais. Todos os produtores devem apresentar um plano de manejo do vetor que cause a disseminação do greening.
Ações Diretas e Fiscalização
As intervenções estão ocorrendo em pomares comerciais e em propriedades rurais e urbanas que cultivam frutas para consumo familiar. A operação também abrange residências que possuem murta, considerada hospedeira do inseto transmissor da doença.
Em Uraí, durante uma das ações, foi apreendido um caminhão com mudas de várias espécies, incluindo 40 de frutas cítricas. O comércio ambulante de mudas é proibido no estado devido à falta de controle fitossanitário. As legislações locais impõem a destruição das mudas apreendidas, o que foi realizado.
Impactos do Greening
O greening, ou HLB (Huanglongbing), pode inviabilizar a citricultura, afetando a produção e impactando negativamente as economias locais. A doença não possui cura conhecida, e por isso, o corte de árvores infectadas é uma estratégia recomendada. A compra de mudas de fornecedores autorizados é outra medida preventiva indicada.
A infecção é transmitida pelo psilídeo asiático dos citros (Diaphorina citri Kuwayama), resultando em queda prematura dos frutos e diminuição da qualidade. As plantas infectadas mostram folhas com manchas amarelas, e a senescência pode concretizar a morte precoce, reduzindo significativamente a vida útil dos pomares. Desde setembro de 2023, o Paraná está sob decreto de emergência fitossanitária devido à gravidade da situação.
Dados da Produção
A citricultura é um segmento crucial da fruticultura paranaense. De acordo com o Valor Bruto da Produção (VBP) de 2023, os principais citros – laranja, tangerina e limão – foram cultivados em 29,3 mil hectares. A produção totalizou 860,9 mil toneladas, resultando em uma receita de R$ 751,9 milhões para a laranja, R$ 177,4 milhões para as tangerinas e R$ 55,9 milhões para os limões.
No Núcleo de Cornélio Procópio, foram colhidas 76.620 toneladas de citros em 2.550 hectares, gerando R$ 81,8 milhões em VBP. No Núcleo de Londrina, a colheita rendeu 14.240 toneladas em 423 hectares, com um VBP de R$ 15 milhões.
A Operação BIG Citros está abrangendo municípios como Assaí, Bandéirantes, Congonhinhas e Uraí, entre outros na região.
