10 prédios que fazem parte da história de Curitiba

Cada construção em Curitiba conta um pouco da sua história. O arquiteto Guilherme Macedo, autor do livro “Prédios de Curitiba”, destacou 10 prédios que representam a cultura histórica da capital. Confira!

1 – Paço da Liberdade (construído entre 1914 e 1916)

Poucas pessoas sabem, mas no Paço já funcionou a Prefeitura Municipal de Curitiba. O prédio conta com simbolismos arquitetônicos, como os dois Hércules que sustentam a fachada principal, um de aparência jovem representando o poder executivo e um mais velho, na figura do legislativo, encimados por uma figura feminina, que representa “Curitiba”, a cidade personificada.

Foto: Washington Cesar Takeuchi

Com quatro pavimentos, a construção foi pioneira na implantação do primeiro elevador da capital. Por esses motivos, o Paço da Liberdade é considerado um patrimônio cultural nacional.

2 – Palácio Avenida (construído entre 1927 e 1929)

Foi no Palácio Avenida que nasceu o Cine Avenida, que juntamente com o Cinema da Glória e o Cine Palácio marcaram a cena cultural da região e transformaram a pequena Avenida Luiz Xavier na Cinelândia curitibana.

Foto: Washington Cesar Takeuchi

O Palácio Avenida é nacionalmente conhecido pelos seus espetáculos natalinos, que apresentam um coral de crianças em suas janelas e que ocorrem anualmente desde a reinauguração.

3 – Moreira Garcez (construído entre 1927 e 1959)

O Moreira Garcez já foi considerado o terceiro maior arranha-céu do Brasil. Sua construção apresenta ainda a inserção de elementos paranistas, como pinhões geometrizados presentes ao longo da fachada e em detalhes internos nas esquadrias do átrio.

Foto: Washington Cesar Takeuchi

4 – Brasilino Moura (construído em 1944)

A implantação desse prédio foi um dos pivôs do enfraquecimento do Plano Agache, que previa o desenvolvimento urbanístico da cidade. O destaque do prédio está na estética da fachada, um conjunto de esquadrias de ferro levemente inclinadas, emolduradas por ressaltos volumétricos azulados, as quais transmitem a sensação de estarem prestes a cair, motivo pelo qual recebeu o apelido peculiar de “balança, mas não cai”.

Foto: Washington Cesar Takeuchi

5 – Marumby (construído entre 1946 e 1948)

Foi o primeiro arranha-céu de Curitiba com uso exclusivamente residencial, curiosamente a construção recebeu o mesmo nome de um conjunto de montanhas conhecido no Paraná, e foi por muito tempo considerado ponto culminante do Estado do Paraná. É tido como o primeiro edifício condomínio da cidade.

Foto: Washington Cesar Takeuchi

6 – Anita (construído em 1950)

Apesar do porte baixo, o prédio é praticamente dono da esquina na trifurcação das ruas Cândido Lopes, Carlos de Carvalho e Ermelino de Leão. Porém, ao longo do tempo, acabou cercado por vizinhos gigantes, como os edifícios Tijucas e Souza Naves, além do Hotel Tibagi. Sua estética costuma ser alvo de fotos que ganham as redes sociais.

Foto: Washington Cesar Takeuchi

7 – Eduardo VII (construído entre 1950 e 1954)

Sem dúvidas esse é um dos edifícios mais marcantes de Curitiba. Seja pela sua imponência ou até mesmo a semelhança com o Flatiron Building (um dos primeiros arranha-céus construídos em Nova Iorque, Estados Unidos).

8 – Tijucas 1958 (construído em 1973)

Considerado um dos prédios mais visitados do Centro, pode-se dizer que o Tijucas possui uma cidade própria, um conjunto misto com alas residenciais e comerciais, afamado por uma galeria onde percorrem cerca de dez mil pessoas diariamente.

Foto: Washington Cesar Takeuchi

9 – Araucária (construído em 1969)

O prédio se destaca muito pelas notáveis esquadrias pré-fabricadas vibrantes e ritmadas que compõem uma fachada única.

Foto: Washington Cesar Takeuchi

10 – Governador (construído em 1967)

Quando construído seu formato circular era algo incomum e criava dúvidas do tipo: como mobiliar um quarto redondo? O volume cilíndrico passa a sensação de se soltar do bloco térreo, sua fachada é marcada por faixas verticais que enquadram as esquadrias.

Foto: Washington Cesar Takeuchi

*Fonte Estúdio C via Curta Curitiba

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Conheça a história da tradicional Pipoteca de Curitiba

O que te faz lembrar da infância? A Pipoteca faz parte das suas lembranças? Para a maioria dos curitibanos a resposta é sim! Em casa ou no recreio da escola, a Pipoteca marcou gerações e ainda pode ser encontrada nas banquinhas de revista ou nos supermercados.

Mas o que poucas pessoas sabem é que a única fábrica do Brasil que produz a Pipoteca fica em Curitiba, no bairro Vila Fanny. A empresa responsável pela guloseima, já considerada tipicamente curitibana, foi criada pelo catarinense Sebastião, em 1978. O nome Pipoteca veio da junção de pipoca e discoteca, uma referência às danceterias da década de 70 e à novela Dancin’Days.

Na foto o Sr. Sebastião fundador da Pipoteca | Foto: Marcelo Andrade/ Gazeta do Povo – 2017

Há mais de 40 anos a fábrica está localizada no mesmo endereço, onde tudo começou, mas os produtos já atravessaram fronteiras. Atualmente, a empresa fornece para outros estados como, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo. 

A famosa Pipoteca | Foto: Divulgação

Além da fábrica, a empresa tem uma loja física, onde é possível encontrar todos os produtos Pipoteca – salgadinhos, pipoca doce e muito mais. A loja fica localizada na Rua Leonel França, 192, na Vila Fanny, ao lado da fábrica. Mais informações acesse o site

Loja da fábrica na Vila Fanny | Foto: Divulgação

Veja como era Curitiba em tempos de Gripe Espanhola

“Deus queira que esse caso de ‘grippe hespanhola’ seja como o ruído do tambor, vazio por dentro.” A frase, pinçada de uma notícia do jornal curitibano A República, de 28 de setembro de 1918, delatava o começo dos casos de gripe espanhola em Curitiba. A “mãe de todas as pandemias” – como foi batizada mais tarde – tem características parecidas com as da atual pandemia de covid-19, causada pelo novo coronavírus, mas a humanidade perdeu muito naquele momento por não procurar o isolamento social, contabilizando 20, 30, 100 milhões de mortos, não se sabe ao certo.


Em setembro de 1918, a gripe espanhola estava apenas começando na capital paranaense, trazida num rastro fúnebre do Rio de Janeiro, considerado o epicentro da moléstia no Brasil. Lá, chegou-se a registrar mil mortos num só dia, e os cadáveres se amontoavam em frente às casas. Notícia de outro jornal curitibano, o Diário da Tarde, de 19 de outubro daquele ano, com a manchete “A Gripe Hespanhola por toda parte”, detalhou a situação que se alastrava naquele momento por todo Brasil, especialmente na capital carioca: “a molestia se manifestou com uma intensidade nunca verificada em outras epidemias. 500 mil pessoas no Rio sentem o mesmo mal. O commercio fechou, paralysou se o trânsito…”. Relatou ainda casos inciais em Curitiba: “Em Coritiba ha influenza hespanhola”, citanto “pessoas recemvindas do Rio de Janeiro” que “enfermaram e guardam o leito”.


A epidemia se espalhou no país por causa de um navio inglês chamado Demerara, vindo de Portugal, que parou em Recife, Salvador e Rio de Janeiro em setembro, com marinheiros que desembarcaram doentes. O nome de batismo não delata a verdadeira origem da doença – a informação mais divulgada hoje é de que surgiu em campos de treinamento militar no Kansas,  Estados Unidos. O mundo enfrentava a 1ª Guerra Mundial e a Espanha, por não estar entre os combatentes, foi o único país a noticiar inicialmente os casos (embora já estivessem espalhados por vários países), enquanto os jornais das nações em guerra foram proibidos de dissipar a notícia da doença para não causar pânico nas tropas.


Em Curitiba, o Diário da Tarde de 29 de outubro destacou comunicado do Ministério da Justiça e Negócios Interiores: “É impossível evitar a propagação da epidemia de grippe por não existir um preventivo seguro capaz de evitar a infecção.” No entanto, pedia “tranquilidade”, “não fazer visitas”, além de “evitar toda fadiga” e “tomar um laxante a cada 4 dias afim de trazer o tubo digestivo sempre desembaraçado.” “Não frequentem locais onde haja aglomeração de pessoas. Mantenham o mais escrupuloso asseio pessoal, lavem a boca, garganta e fossas nasais com um desinfetante, diversas vezes ao dia e principalmente antes das refeições, que nunca devem fazê-las nos ambientes infectados. Lavem frequentemente as mãos, sobretudo antes de usar qualquer alimento”, aconselhou o Dr. Trajano Reis, da Diretoria Geral do Serviço Sanitário, no jornal A República de 21 de outubro – seus comunicados nos jornais eram quase que diários e ele ficou famoso pelo trabalho de combate e prevenção na capital.


No livro Leis, Decretos e Actos da Câmara Municipal de Coritiba de 1915 a 1923 constam três decretos de 1918 assinados pelo prefeito da época, João Antonio Xavier, sobre as restrições impostas na cidade. O primeiro foi no dia 24 de outubro, suspendendo o funcionamento dos “cinemas e outras casas de diversões desta capital”. Também aconselhava “insistentemente” que se evitasse aglomerações, principalmente à noite. O decreto seguinte, de 9 de novembro, autorizou, aos domingos e feriados, o comércio de “seccos e molhados e pharmacias a permanecerem com seus estabelecimentos abertos enquanto perdurar a epidemia de grippe ora reinante”. Um ato do prefeito, de 11 de novembro daquele mesmo ano reforçava a determinação do fechamento das casas de diversões até o dia 30 do mesmo mês, a despeito de “petições apresentadas pelos proprietários” dos referidos estabelecimentos.


Em novembro, ao mesmo em tempo que o Mundo comemorava o fim da Primeira Guerra Mundial, também chorava seus mortos da pandemia. “A cessação da guerra com a Alemanha foi firmada. O regozijo pela terminação da guerra é enorme em todas as grandes cidades do mundo”, noticiou o Diário da Tarde numa sexta-feira, 8 de novembro, assim como relatou casos de gripe espanhola por todo o estado do Paraná e o que estava sendo feito para combatê-la.
No dia 19 do mesmo mês,  trazia “uma estatística desconsoladora”, comparando o número de mortos com o número de nascimentos: “de 22 a 29 de setembro nasceram 31 pessoas e morreram 22;  de 30 de setembro a 6 de outubro, nasceram 36 e morreram 21”; “… de 4 a 10 do mez corrente já temos 86 nascimentos e 62 óbitos”. Mas os dados misturavam os falecimentos por outras razões. Em 18 de dezembro, denunciou: “A Colonia Umbará, distante três léguas da capital, está assolada pela terrível peste hespanhola. Esta, de dia para dia vae dizimando uma grante parte dos colonos e caboclos dessa cidade.”


Remédios milagrosos:

“Não há remédio específico. Todos são bons e nenhum presta. Sobretudo nos casos leves. Quer dizer que a grippe é como um tufão. Passa logo, quando não mata, o que tem se verificado nas epidemias brasileiras, em geral benignas”, escreveu Dr. Espindola em um artigo publicado no A República de 18 de outubro de 1918.


Não havia remédio específico? Logo apareceram no comércio fórmulas milagrosas apresentando soluções: “Cuidado com a Hespanhola! Use o poderoso ‘antiputrido’ Balsamo Santa Helena, desinfectante analgésico, inimigo do máu cheiro!”. “Influenza Hespanhola. É indispensável lavar-se seguidamente as fossas nasaes com espuma de sabonete de Creol.”


Que tal os comprimidos Oxyform: “oxygenio solidificado, o melhor medicamento profilatico e curativo, contra todas as moléstias infecciosas adquiríveis por via boccal, taes como Ilfluenza hespanhola, grippe, coqueluche, peste pulmonar e cholera. Experimente, exclusivo no Paraná.”


Parece brincadeira, mas houve também uma fábrica de bolachas prometendo cura: “Para evitar efficazmente as fataes recahidas de grippe recomenda-se aos convalescentes as afamadas bolachas Lucinda.” Propaganda publicada no jornal Diário da Tarde de 20 de novembro de 1918.


Depois de dezembro, as notícias e propagandas nos jornais curitibanos a respeito passaram a ser cada vez mais escassas, dando a entender que, em Curitiba, teria voltado ao normal. Conta-se que na cidade foi 384 o número de vítimas fatais da gripe espanhola. Como afirmou Dr. Espindola, foi mesmo “como um tufão”.


Referências Bibliográficas:

A República, 28 de setembro de 1918, 18 de outubro de 1918, 21 de outubro de 1918, Hemeroteca Digital.
Diário da Tarde, 18 de outubro de 1918, 29 de outubro de 1918, 8 de novembro de 1918, 19 de novembro de 1918, 20 de novembro de 1918, 21 de novembro de 1918, 18 de dezembro de 1918. Hemeroteca Digital.
Histórias da Gente Brasileira, volume 3, Mary Del Priore.
Leis, Decretos e Actos da Câmara Municipal de Coritiba de 1915 a 1923. Acervo digital da Câmara Municipal de Curitiba, seção Nossa Memória.

Texto: Michelle Stival da Rocha / Câmara Municipal de Curitiba