A vereadora Professora Ângela, do PSOL, expressou sua intenção de proteger seu mandato contra críticas e ataques recebidos após a realização de uma audiência pública que tratou da legalização da maconha e do sistema de segurança e saúde em relação às drogas em Curitiba. A polêmica provocou reações de vereadores da direita, que sugerem a possibilidade de um pedido de cassação contra a parlamentar.
Controvérsia e Críticas
A audiência pública, realizada no último dia 5 de agosto, foi alvo de ataques por parte dos vereadores Renan Ceschin (Podemos) e Da Costa (União). Eles alegam que Professora Ângela estaria promovendo a apologia ao uso de drogas e distribuindo materiais que, segundo eles, incentivam o consumo.
“Uma vereadora do PSOL estava claramente fazendo apologia ao uso de drogas, distribuindo uma cartilha pró-drogas aos participantes. Um absurdo. A Câmara foi usada para o estímulo de drogas”, declarou Ceschin, que já anunciou a intenção de protocolar um pedido de cassação da colega.
Incidente Durante o Debate
Durante a audiência, Professora Ângela relatou que enfrentaram tentativas de desestabilizar o debate, mencionando que o vereador Da Costa invadiu o espaço, acompanhado de assessores. “Ele interrompeu a fala de Kixirrá, uma mulher indígena que compunha a mesa,” afirmou a vereadora em nota.
Defesa da Redução de Danos
A assessoria de Professora Ângela afirmou que o mandato não recuará na defesa da estratégia de redução de danos e da discussão sobre uma nova política de drogas. O coletivo reitera que o tema deve ser tratado de forma séria, sem censura ou sensacionalismo. “A divulgação do nosso material está suspensa por conta da polêmica, pois não queremos gerar confusão e desinformação,” esclareceu a assessoria.
Enquanto o pedido de cassação ainda não foi formalizado, o PSOL reafirma que a política de redução de danos é uma questão de saúde pública. A nota do partido destaca a importância de debater o tema de forma ampla e democrática.
Manifesto em Apoio à Vereadora
A controvérsia gerou a criação do manifesto “Fica, Professora Ângela”, que defende a abordagem de redução de danos como uma estratégia voltada para a segurança e autonomia dos usuários de substâncias. O texto esclarece que a política busca minimizar riscos através da educação e fornecimento de insumos para um uso mais seguro.
Liberdade de Expressão e Censura
A Câmara Municipal de Curitiba emitiu uma nota enfatizando que a audiência foi aprovada em plenário e que não há espaço para censura prévia sobre manifestações da sociedade civil. No entanto, a Casa ressalta que não compactua com discursos que possam configurar apologia ao uso de drogas.
Vale lembrar que, em 2011, o Supremo Tribunal Federal (STF) assegurou a legalidade de debates sobre a legalização das drogas, um posicionamento reafirmado recentemente por alguns ministros em relação a outras questões. A audiência pública está protegida pela Constituição, sendo, portanto, um espaço legítimo de diálogo.
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