Após a captura do presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, a Venezuela se vê em um cenário de repressão e busca de normalidade. O novo governo interino, liderado por Delcy Rodríguez, enfrenta críticas de grupos de direitos humanos que apontam o aumento da repressão a manifestações populares.
Repressão e Controle
No dia 5 de janeiro, a posse de Rodríguez foi acompanhada pela instalação de postos de controle em todo o país. Relatos indicam um aumento nos preços e um agravamento da fome entre a população. Em resposta a um decreto que concede amplos poderes à presidência, as forças de segurança foram instruídas a prender “qualquer pessoa envolvida na promoção ou apoio” ao ataque dos EUA.
Dezesseis jornalistas foram detidos temporariamente, incluindo repórteres que cobriam a posse da Assembleia Nacional, sem justificativa apresentada para as prisões. Além disso, presos políticos estão com o direito a visitas suspenso e enfrentam restrições de comunicação, segundo o Comitê para a Libertação de Presos Políticos na Venezuela.
Clima de Insegurança
A capital Caracas vive um clima de ansiedade após o ataque dos EUA em 3 de janeiro. A presença policial ainda é forte, embora uma diminuição de soldados nas ruas tenha sido observada. Os sinais de dissidência pública são escassos, o que reflete o temor de represálias em um contexto de repressão política.
Desde o domingo (4), grupos pró-governo têm se mobilizado em pequenas manifestações exigindo a libertação de Maduro e sua esposa, Cilia Flores. No entanto, estas ações têm tido baixo comparecimento e impacto.
Reabertura e Desafios Econômicos
Apesar da repressão, sinais de normalidade começam a surgir. Na terça-feira (6), mais civis circulavam por Caracas, com serviços públicos operando, incluindo transporte e supermercados. A reabertura das escolas e o retorno ao trabalho completo são esperados nos próximos dias, conforme orientações do Ministro da Defesa, Vladimir Padrino López.
Contudo, a economia enfrenta desafios significativos. A moeda local, o bolívar, desvalorizou-se drasticamente, com algumas lojas em Maracaibo aceitando apenas dinheiro em espécie, enquanto relatórios indicam aumentos de preços e desabastecimento, especialmente em áreas remotas.
Douglas Sánchez, um comerciante da capital, expressou a urgência de continuar trabalhando em meio à crise: “Se você não sair para trabalhar, não tem nada.” Essa determinação reflete a resiliência de um povo que enfrenta constantes adversidades.
Fonte: CNN https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/venezuelanos-tentam-retornar-a-normalidade-em-meio-a-temores-de-repressao/
