Vacina para Covid-19 desenvolvida na UFPR induz produção maior de anticorpos que a de Oxford em fase pré-clínica

Os resultados da segunda imunização em camundongos feita com a vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) apontaram títulos de anticorpos comparáveis e até superiores aos reportados pela vacina ChAdOx1 nCoV-19, da parceria AstraZeneca/Oxford, em estudos na fase pré-clínica realizados em camundongos.

O título é uma medida da quantidade de anticorpos no soro sanguíneo que é obtida a partir de uma série de diluições crescentes do soro. É realizada para se observar a diferença entre a amostra imunizada e a controle, que recebe apenas as partículas sem a proteína do vírus. “Nós diluímos o soro 16 mil vezes e ainda podemos observar muitos anticorpos nessa diluição. Isso quer dizer que provavelmente teremos que diluir ainda mais para encontrar o ponto final, unidade em que normalmente os resultados são expressos”, revela Marcelo Müller dos Santos, professor do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular da UFPR e um dos responsáveis pelo estudo.

Para comparar, os estudos de imunização em camundongos publicados sobre a vacina AstraZeneca/Oxford relatam títulos em torno de dez mil após 42 dias da aplicação de duas doses do produto. Isso quer dizer que o soro teve que ser diluído dez mil vezes para atingir o valor mínimo que ainda diferenciava a amostra imunizada da amostra de controle.

A vacina é feita a partir de nanoesferas de polímero, biocompatível e biodegradável, recobertas com partes específicas da proteína Spike. Foto: Marcos Solivan

O imunizante da UFPR mais uma vez se mostrou eficaz sem o acréscimo de adjuvante, substância utilizada para facilitar a resposta imune normal. As partículas do polímero bacteriano polihidroxibutirato (PHB), utilizadas pelos pesquisadores para inserir partes da proteína viral do Sars-CoV-2 no organismo, já apresentam a atividade de adjuvante, exacerbando a resposta imune em camundongos.

Após a aplicação de duas doses do imunizante, os pesquisadores coletam sangue dos camundongos para verificar os títulos de anticorpos produzidos. Imagem: Sucom/UFPR

Foram injetadas duas doses de vacina, com intervalo de duas semanas entre elas, em um número maior de camundongos que no último experimento. A imunização é feita com partículas do polímero bacteriano polihidroxibutirato (PHB) recobertas com partes específicas da proteína Spike, que é a proteína que permite ao Sars-CoV-2 infectar nossas células. Após a aplicação, os anticorpos foram medidos no soro sanguíneo coletado dos camundongos.

Micro e nanopartículas

Os experimentos foram realizados com micropartículas e com nanopartículas, uma diferença de tamanho de aproximadamente mil vezes entre as duas. A conclusão é que as nanopartículas são mais viáveis por causarem menos incômodo no paciente e porque possivelmente melhoram a resposta imune. “Temos a expectativa de que as nanopartículas consigam chegar a setores do nosso sistema imune que as partículas maiores não são capazes. Mas, até o momento, os dois sistemas testados funcionam muito bem”, explica Santos.

O projeto tem financiamento do CNPq, em parceria com o MCTIC. Foto: Marcos Solivan

Imunização nasal

Esta fase também testou a imunização por via nasal para descobrir se a forma de administração é capaz de estimular o sistema imune sistêmico a produzir anticorpos do tipo IgG, que participam da defesa contra a invasão de antígenos. De acordo com o pesquisador, não foi possível detectar esse tipo de imunoglobulina, provavelmente porque o método induziu a produção de anticorpos do tipo IgA, principal imunoglobulina presente nas membranas mucosas. “Se isso se confirmar, será muito interessante pois, por conta da forma de entrada do vírus no organismo, é uma ótima forma de enfrentamento ao Sars-CoV-2”. O professor Breno Castello Branco Beirão, do Departamento de Patologia Básica, também integra a equipe e está medindo os títulos de anticorpos gerados por esta via de imunização. Entre eles, o do tipo IgM, imunoglobulina que é produzida após a exposição a um antígeno.

Próximos passos

Os próximos testes pretendem descobrir se os anticorpos produzidos pela imunização têm efeito neutralizante, isto é, se eles impedem que o vírus interaja com os receptores das células. “Digamos que uma pessoa tenha, no organismo, anticorpos com potencial para reconhecer o coronavírus. Se a pessoa for infectada e esses anticorpos reconhecerem rapidamente o coronavírus e se ligarem aos receptores do vírus antes que eles reconheçam os receptores das células do organismo, há o efeito neutralizante, pois provavelmente o vírus não conseguirá infectar células do trato respiratório”, exemplifica Santos. Os pesquisadores acreditam que, pela quantidade de anticorpos presente no sangue imunizado, as chances de que tenham esse efeito neutralizante são muito boas. “Se demonstrarmos essa capacidade, podemos pensar seriamente na fase um de testes clínicos”, avalia.

Também há a intenção de diminuir a carga de antígeno nos próximos experimentos. Atualmente o estudo trabalha com doses de 50 microgramas de proteína, mas os especialistas acreditam que é possível reduzir pela metade essa quantidade, o que resultaria na produção do dobro de vacinas com a mesma quantidade de antígenos. Aliando isso à vantagem que já existe de não precisar de adjuvante, a vacina desenvolvida na UFPR seria muito mais econômica que as demais existentes no mercado.

Emanuel Maltempi de Souza, professor do Departamento de Bioquímica, indica outro fator importante que a equipe deseja analisar: o momento em que a resposta imunológica aparece no organismo. “Queremos ver também se essa resposta não desaparece após algum tempo e se o título de anticorpo permanece alto. Nosso objetivo, nesse momento, é definir a melhor fórmula e a durabilidade da resposta”.

A ideia é finalizar os testes pré-clínicos na metade de 2021. “Já os testes clínicos escapam um pouco do nosso domínio porque precisaríamos de parceiros. É necessário ter suporte, principalmente de alguma indústria farmacêutica que domine boas práticas de fabricação para assegurar que a preparação segue essas normas e garantir a aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)”, comenta Santos.

Alternativa de vacina

Para Souza, há grandes chances de que o vírus Sars-CoV-2 permaneça em circulação, o que exigiria que a população fosse vacinada periodicamente. “Se realmente houver essa necessidade, novas formulações vacinais, fórmulas menos agressivas e mais baratas serão importantes. Não descartamos a possibilidade de que essa preparação seja utilizada para a Covid-19, mas também é possível desenvolver outras vacinas usando essa mesma tecnologia”.

Ele comenta que a plataforma tecnológica vacinal criada na UFPR, cuja forma de ligar o antígeno à nanopartícula é diferente, é inovadora e relativamente barata se comparada com outras existentes no mercado. “Todas as vacinas disponíveis contra a Covid-19 foram desenvolvidas a partir de uma plataforma de vacina que já estava pronta. Os cientistas aplicaram o que conheciam sobre fazer vacina contra coronavírus e hoje temos um recorde de tempo que dificilmente será batido no desenvolvimento de uma vacina”.

Saiba tudo sobre as ações da UFPR relacionadas ao Coronavírus

Informações UFPR.

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1ª CAFEÍNA WEEK terá descontos e ações especiais em Curitiba

A Rituais Casa de Café, primeira loja-conceito da 3Corações, instalada em Curitiba (PR), preparou uma programação bem especial para comemorar o Dia Internacional do Café, que será celebrado neste sábado, dia 01 de outubro. Durante a primeira semana do mês, entre os dias 01 e 09, acontece a primeira edição da Cafeína Week com ações na loja física e para compras no e-commerce da marca.

Serão diversas promoções especiais para bebidas e itens no site e na loja com desconto de 15% nos pacotes de café (250g) e nos acessórios. Na terça (4), vai ser o “Espresso Day”, com a bebida de R$7 para R$4. Para quem adora reunir os amigos pra curtir bons momentos acompanhado de um saboroso café, a casa vai promover um happy hour com double dos drinks com café e opções de grãos de outros países para quem quiser provar novos métodos de preparo ou como espressso. Além disso, vai acontecer um incrível Happy Hour Café + Vinho com comidinhas e degustação de cafés e rótulos de vinhos nacionais.

Para celebrar a internacionalidade da data, a casa, que trabalha somente com produtores nacionais, vai oferecer uma seleção de grãos também de outras origens. A ação é uma parceria com a Notes Coffee Roasters, uma torrefação e rede de cafeterias baseada em Londres, mas que pertence ao paulistano Fabio Henrique. Para completar, a agenda especial ainda vai contar com um flash tattoo com temática de café, degustação guiada, promoções, sorteio e um workshop exclusivo.

Confira a programação completa:

Durante toda a semana: desconto de 15% nos pacotes de café (250g) e nos acessórios. Grãos Internacionais: cafés torrados pelo Notes Coffee Roaster, de Londres, para provar no Espresso do Barista ou no Grão + Método. 

Sábado (01/10): Flash Tattoo, das 14h às 16h, com a tatuadora Thais Iensen. Desenhos com temáticas relacionadas ao universo do café. Para agendamentos, escreva para contato@rituaiscasadecafe.com.br. Valores a partir de R$ 100.

Domingo (02/10): Dia de Eleição… do melhor café do mundo! Você compra uma caneca, prova dois cafés coados e vota. Ao final do dia, a partir das 20h, será realizado o sorteio de um kit superespecial entre os participantes. Valor: R$ 35 (somente na loja física), das 9h às 20h.

Torre seu próprio café, com Dylan Vetter, a partir das 14h. Durante uma hora você vai acompanhar o processo de torra de um café especial e ainda leva 2kg desses grãos para casa. Vagas limitadas. Inscrições no site da Rituais Casa de Café.

Terça (04/10) Espresso Day! – o dia todo o espresso com 20g de café sai de R$ 7 por R$ 4! Harmonização Café com Queijo: Degustação com Chico Queijo, especializado em queijos brasileiros. Prova de queijos premiados do Paraná na última edição do 2º Mundial do Queijo do Brasil, que recebeu mais de 11 países na competição (Valor: R$ 80 – incluso os cafés e os queijos).

Harmonização Café com Queijo: convidamos o Chico Queijo, especializado em queijos brasileiros, para fazer uma sessão de degustação com os nosso cafés. Vamos provar alguns dos queijos premiados do Paraná, na última edição do 2º Mundial do Queijo do Brasil, que recebeu mais de 11 países na competição. Valor: R$80, incluso os cafés e os queijos, às 19h30.

Quarta (05/10): Workshop Café Especial em Casa (sem medo!), com Estela Cotes, a partir das 19h. Valor: R$ 79. Inscrições no site da Rituais Casa de Café.

Quinta (06/10): Primaverou! Lançamento dos drinks novos com café + double de drinks (compra um, leva outro), das 17h às 20h.

Sexta (07/10): Happy Hour Café + Vinho: degustação de cafés do Brasil, Etiópia, Colômbia e Quênia + 3 rótulos de vinhos nacionais e comidinhas. Valor: R$ 90 por pessoa. A partir das 18h30. Ingressos no site da Rituais Casa de Cafés.

Sábado (08/10): Degustação guiada de cafés do Brasil + Mundo: degustação de cafés em diferentes métodos e bate-papo sobre as diferenças entre as origens e métodos. Valor: R$ 50 por pessoa. Ingressos no site da Rituais Casa de Cafés.

Domingo (09/10): Refil de Coado! 1 café brasileiro e 1 internacional. Valor: R$ 30. O cliente ganha uma xícara e toma coado à vontade. 

A Cafeína Week será realizada entre os dias 01 e 09 de outubro, no Rituais Casa de Café  (Rua Moysés Marcondes, nº 609, no bairro Juvevê, em Curitiba (PR). Inscrições e mais informações pelo telefone (41) 3501-8234, pelo site www.rituaiscasadecafe.com.br ou no perfil oficial da casa no Instagram (@rituaiscasadecafe).  

Pizzaria da Mathilda estreia releitura de sabor clássico

Um dos sabores de pizza mais amados pelos brasileiros ganha sua versão ao estilo napolitano. A Pizzaria da Mathilda estreia sua Portuguesa no dia 04 de outubro, unindo duas tradições gastronômicas para a nova criação. A pizza, que terá valor de R$ 42, sairá pela metade do preço no dia de lançamento, válido para consumo nas três unidades (Juvevê, Vicente e Água Verde), para retirada e venda no site.

Apesar de não ter uma história oficial, diz-se que a Portuguesa nasceu no Brasil, quando imigrantes portugueses adicionaram ingredientes diferentes às pizzas feitas pelos imigrantes italianos. Na receita da Mathilda, os insumos clássicos se aliam ao estilo napolitano que consagrou a pizzaria curitibana. A massa de fermentação lenta, servida individualmente, recebe molho, presunto, basílico, cebola roxa, mozzarella, ovo caipira e azeitona preta.

O estilo napolitano da Pizzaria da Mathilda é celebrado como um dos mais tradicionais, sendo considerado patrimônio imaterial da humanidade pela UNESCO. A Mathilda conquistou o público curitibano ao seguir as regras dessa tradição com as pizzas individuais em sabores clássicos, como Marguerita, e também com criações originais. Renovando o cardápio, traz pedidas favoritas do público como a Portuguesa. A nova pizza Portuguesa estreia nas três lojas no dia 04 de outubro. A Pizzaria da Mathilda conta com três unidades da rede em Curitiba: Vicente (Av. Vicente Machado, 859), Juvevê (R. Rocha Pombo, 265) e Água Verde (Av. dos Estados, 1066). As lojas abrem de terça-feira a domingo, das 18h às 23h. Além disso, os pedidos poderão ser feitos, também, pelo site www.pizzariadamathilda.com.br. Mais informações no perfil oficial no Instagram (@pizzariadamathilda).