O retorno de Donald Trump à Casa Branca em janeiro de 2025 provocou significativas mudanças na política climática dos Estados Unidos, incluindo a revogação de diversas iniciativas do governo anterior e a reformulação das prioridades energéticas.
Saída do Acordo de Paris
O ex-presidente Trump retirou os EUA do Acordo de Paris pela segunda vez, encerrando compromissos de redução de emissões e promessas de financiamento climático. Durante seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, Trump chamou as mudanças climáticas de “a maior farsa” do mundo, reforçando seu ceticismo em relação a iniciativas ambientais globais.
Embora cientistas apoiem a evidência de que as mudanças climáticas estão aumentando devido à ação humana, organizações como a ONU alertam sobre os danos potenciais decorrentes da inação.
Revisão da Lei de Redução da Inflação
A gestão de Trump revogou disposições da Lei de Redução da Inflação de 2022, suspendendo bilhões em créditos fiscais e empréstimos para energia limpa. Os prazos para projetos de energia renovável foram reduzidos, aumentando custos e potencialmente causando cancelamentos.
O diretor de orçamento da Casa Branca, Russ Vought, anunciou que cerca de US$ 8 bilhões em financiamento climático destinado a 16 estados seria cancelado, incluindo projetos de captura de carbono e conversões para veículos elétricos.
Foco em Combustíveis Fósseis
Trump reativou a agenda de “domínio energético”, incentivando a extração de petróleo, gás e carvão, e redirecionou programas de empréstimo para investimentos no setor de carvão e projetos nucleares.
Mudanças Regulatórias
A EPA (Agência de Proteção Ambiental) revogou sua “constatação de perigo” de 2009, que justificava normas sobre gases de efeito estufa. Este movimento é justificado pelo governo como uma forma de reduzir custos para a indústria.
No entanto, especialistas argumentam que isso pode criar incerteza regulatória para montadoras e concessionárias, além de prejudicar a eficácia das políticas climáticas.
Restrições a Dados Climáticos
Agências federais têm limitado o acesso a avaliações climáticas e bases de dados sobre desastres. A NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica Nacional) interrompeu a atualização de dados relevantes, enquanto muitos funcionários foram demitidos.
Consequências das Mudanças
Analistas alertam que essas alterações podem afetar as metas de emissões dos EUA e atrasar a transição para energia limpa, elevando custos para consumidores e empresas. Críticos apontam que a revogação das normas prejudica a ciência climática e o engajamento público, especialmente em um cenário de aumento de eventos climáticos extremos.
Um relatório da NASEM (Academia Nacional de Ciências, Engenharia e Medicina) destacou a gravidade dos danos atuais e futuros à saúde causados pelas emissões antiprogênicas.
Promessas em torno da COP
Embora novas promessas climáticas sejam apresentadas, a redução projetada nas emissões globais até 2035 está muito aquém do necessário. A UNFCCC (Convenção Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima) notou um primeiro declínio nas emissões globais, mas indica que muitos países ainda demoram para definir metas mais ambiciosas.
O futuro das emissões nos EUA permanece incerto devido ao potencial desfazimento das promessas climáticas por Trump, enquanto a China também apresentou seus próprios planos de redução.
Fonte: CNN https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/como-trump-reverteu-politica-climatica-dos-eua-durante-segundo-mandato/
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