O presidente Donald Trump anunciou nesta quinta-feira (7) que solicitou ao Departamento de Comércio o início de um novo censo nos Estados Unidos. A proposta inclui a exclusão de imigrantes irregulares da contagem populacional.
Mudanças na contagem populacional
Em sua publicação nas redes sociais, Trump afirmou: “Instruí nosso Departamento de Comércio a começar imediatamente a trabalhar em um novo censo altamente preciso.” O presidente destacou que a nova contagem se basearia em dados atuais, incluindo informações da Eleição Presidencial de 2024, e garantiu: “Pessoas que estão em nosso país ilegalmente NÃO SERÃO CONTADAS NO CENSO.”
Essa proposta representa uma mudança significativa em relação às práticas tradicionais de censos, que historicamente contabilizam todos os residentes, independentemente do status imigratório. O anúncio acontece em um contexto de pressão crescente da Casa Branca para que estados governados por republicanos redesenhem as fronteiras eleitorais, visando fortalecer o partido nas eleições de 2026.
Na publicação de Trump, não está claro se o novo censo será realizado antes de 2030, quando a próxima contagem é programada. A Constituição americana exige um censo a cada dez anos para determinar a representação no Congresso, e a 14ª Emenda estipula a contagem do “número total de pessoas em cada estado”. A exclusão de imigrantes irregulares poderia impactar o equilíbrio de poder na Câmara dos Representantes, que se baseia na população total.
Implicações jurídicas e políticas
Realizar um censo antecipado poderia beneficiar o presidente politicamente, pois estudos indicam que algumas cadeiras na Câmara podem ser realocadas de estados democratas para republicanos devido a mudanças populacionais. Contudo, especialistas alertam que Trump não pode ordenar um novo censo unilateralmente. Jeffrey Wice, professor da Faculdade de Direito de Nova York, afirma que, mesmo que o Congresso considerasse autorizar um censo adicional, seria necessário lidar com disputas judiciais, além do desafio prático de coletar dados mais detalhados.
O planejamento para o censo de 2030 começou em 2019, e testes estão agendados para 2026 e 2028. Wice ressalta que “o censo decenal é o segundo maior empreendimento do governo federal”. Além disso, ainda não está claro como Trump pretende usar os resultados da eleição de 2024 na nova contagem.
Histórico de propostas de Trump
Durante seu primeiro mandato, Trump tentou modificar o Censo de 2020 ao argumentar a favor da inclusão de uma pergunta sobre cidadania. Críticos advertiram que essa mudança poderia levar a uma subcontagem de minorias e cidadãos naturalizados. A tentativa foi bloqueada pela Suprema Corte, e, posteriormente, Trump solicitou que agências governamentais fornecessem dados que pudessem ajudar a contar cidadãos sem depender do censo.
Recentemente, outros republicanos também defenderam a ideia de um novo censo. A deputada da Geórgia, Marjorie Taylor Greene, apresentou um projeto de lei para realizar um novo censo que contaria apenas cidadãos. Da mesma forma, o governador da Flórida, Ron DeSantis, questionou a contagem de 2020 e pediu um novo levantamento populacional, argumentando que a Flórida deveria ter recebido mais cadeiras com base em sua população crescente.
No entanto, é importante destacar que a gestão do censo de 2020 ocorreu sob a administração de Trump, não do governo Biden. Recentemente, Trump também demitiu a Dra. Erika McEntarfer, comissária do Departamento de Estatísticas do Trabalho, acusando-a de manipulação de dados sem apresentar provas concretas.
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