A estabilidade nas taxas médias de juros em julho de 2023 reflete o cenário atual do crédito no Brasil. De acordo com as Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas pelo Banco Central (BC), a taxa média para novas contratações, incluindo crédito livre e direcionado para famílias e empresas, foi de 31,4% ao ano, apresentando uma leve variação negativa de 0,2 pontos percentuais (p.p.). No entanto, em um período de 12 meses, houve um aumento de 3,6 p.p.
Taxa Selic e Juros Bancários
A elevação dos juros segue o caminho da taxa Selic, atualmente fixada em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. A Selic é um instrumento essencial na tentativa do BC de controlar a inflação.
O Banco Central argumenta que a manutenção da taxa elevada busca esfriar a demanda e conter a inflação, uma vez que juros altos encarecem o crédito e incentivam a poupança, resultando na diminuição do consumo e, consequentemente, na queda dos preços. O próximo encontro do Copom para a definição da Selic está agendado para setembro, e as expectativas são de que a taxa permaneça em 15% ao ano até o final de 2025.
Spread Bancário e Crédito Livre
Em julho, o spread bancário, que mede a diferença entre o custo de captação dos recursos pelos bancos e as taxas médias aplicadas aos clientes, permaneceu estável em 20,3 p.p., mostrando uma leve redução de 0,2 p.p. no mês, mas um aumento de 1,7 p.p. nos últimos 12 meses.
No que diz respeito ao crédito livre, as novas contratações para famílias registraram uma taxa média de 57,7% ao ano, com uma redução de 0,7 p.p. mensalmente e um aumento de 5,5 p.p. em 12 meses. As reduções se observaram principalmente nas parcelas do crédito pessoal não consignado e no cartão de crédito parcelado.
Por outro lado, a taxa de juros do cartão de crédito rotativo subiu 6,1 p.p. no mês, passando a 446,6% ao ano, tornando-se uma das mais altas do mercado. O crédito rotativo é acionado quando o consumidor paga menos do que o valor total da fatura do cartão, resultando em um empréstimo sobre o saldo devedor.
Taxas do Crédito Direcionado
Em relação ao crédito direcionado, que possui regras estabelecidas pelo governo e destina-se a setores como habitação e infraestrutura, a taxa para pessoa física ficou em 11,2% ao ano, com uma leve elevação de 0,1 p.p. em relação ao mês anterior e um aumento de 1 p.p. em 12 meses. Para empresas, a taxa caiu 0,5 p.p. mensalmente, totalizando 13,6% ao ano, mas aumentou 2,2 p.p. nos últimos doze meses.
Concessões de Crédito
Em julho, as concessões de crédito alcançaram R$ 644,1 bilhões, com uma redução sazonal ajustada de 0,3% no mês. Esse desempenho refletiu uma diminuição de 2% nas operações com pessoas jurídicas e um crescimento de 2,5% nas operações com famílias. Em um período de 12 meses, as concessões nominais aumentaram 12,3%. O estoque total de empréstimos do Sistema Financeiro Nacional (SFN) alcançou R$ 6,715 trilhões, marcando um crescimento de 0,4% em relação ao mês anterior.
Endividamento das Famílias
O Banco Central reporta uma estabilidade na inadimplência, que permanece em 3,8% em julho, com 4,5% nas operações para pessoas físicas e 2,5% para pessoas jurídicas. O endividamento das famílias, que representa a relação entre o saldo de dívidas e a renda acumulada em 12 meses, atingiu 48,7% em junho, uma leve queda de 0,2% em relação ao mês anterior, mas um aumento de 1% em 12 meses.
O comprometimento da renda, que mede o valor médio destinado ao pagamento das dívidas em relação à renda média apurada, foi de 27,6% em junho, apresentando uma variação negativa de 0,1% no mês e um crescimento de 1,3% em 12 meses. É importante observar que esses indicadores são baseados em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), do IBGE, e possuem um certo atraso na divulgação.
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