STF Inicia Julgamento sobre Acordos de Leniência da Lava Jato
O Supremo Tribunal Federal (STF) dará início ao julgamento dos novos termos dos acordos de leniência firmados por empresas envolvidas na Operação Lava Jato nesta sexta-feira (8). Os acordos, que permitem às empresas investigadas colaborar com informações em troca de benefícios, estão sob scrutinização.
Julgamento em Plenário Virtual
O julgamento acontecerá em um plenário virtual, onde não haverá debate entre os ministros. Eles têm até segunda-feira, 18 de agosto, para registrar seus votos, sob a relatoria do ministro André Mendonça.
Contexto das Ações Judiciais
Recentemente, partidos como PSOL, PCdoB e Solidariedade protocolaram uma ação solicitando a anulação dos acordos de leniência associados à Lava Jato. Para esses grupos, os contratos foram prejudiciais e demonstraram novos abusos durante a operação.
Conciliações e Reestruturações
Em resposta, o ministro André Mendonça organizou reuniões de conciliação entre representantes do governo, partidos e empresas, concordando sobre a necessidade de reestruturação dos acordos. Em 2022, a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Advocacia-Geral da União (AGU) apresentaram uma proposta final de renegociação ao STF.
Pontos-Chave da Proposta
Entre os principais pontos da proposta está um abatimento de até 50% no saldo devedor dos acordos originais, representando cerca de R$ 8 bilhões. Essa redução foi alcançada mediante a renúncia do governo à cobrança de juros sobre parcelas atrasadas e a permissão para utilização de prejuízos fiscais acumulados pelas empreiteiras.
Os créditos tributários que excederem 50% do saldo devedor das empresas não poderão ser utilizados na quitação dos acordos.
Devoluções e Acordos de Colaboração
O ajuste ainda prevê o abatimento de valores devolvidos por delatores ligados aos esquemas de corrupção. Esses valores, quando devolvidos por ex-executivos das empreiteiras, podem ser descontados dos acordos de leniência.
Empresas Envolvidas e Próximos Passos
Sete empresas, incluindo Novonor (ex-Odebrecht), Andrade Gutierrez e Braskem, já aderiram à renegociação. A proposta agora aguarda a avaliação do STF.
Ponto de Vista da Procuradoria-Geral da República
Em maio, a Procuradoria-Geral da República manifestou-se favoravelmente à homologação dos novos termos, embora tenha reafirmado que essa anuência não implica reconhecer a existência de irregularidades constitucionais. Segundo a procuradoria, embora seja necessária uma revisão dos acordos anteriores, isso não caracteriza uma violação generalizada de direitos fundamentais por parte do governo durante a Operação Lava Jato.
A procuradoria destacou que, se o STF homologar os novos parâmetros das repactuações, a conciliação proposta será considerada atendida.
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