Sesa pede atenção após registrar aumento repentino de casos de chikungunya no Paraná

O Informe Semanal sobre Arboviroses publicado hoje (20) pela Secretaria da Saúde do Paraná alerta para o aumento de casos de chikungunya, doença também transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, assim como a dengue e zika vírus.

A Sesa monitora e divulga os dados epidemiológicos dos três agravos no mesmo Informe conforme análise da Vigilância Ambiental.

Segundo o Informe, Paraná tem hoje 193 notificações para a chikungunya e 29 casos confirmados.

“A Sesa está alerta diante deste aumento repentino de casos; já orientamos todas as 22 Regionais de Saúde, principalmente os serviços assistenciais para atenção redobrada a possíveis casos. A notificação correta nos aponta onde está circulação viral e possibilita a ação”, afirmou o secretário Estadual de Saúde, Beto Preto.

As equipes de apoio técnico da Sesa vão intensificar o trabalho de apoio à Regionais de Saúde e municípios. Na semana que vem, os profissionais da Vigilância Ambiental estarão na 16ª Regional de Saúde, em Apucarana.

“Hoje o estado de São Paulo passa por um surto de chikungunya; a proximidade com o Paraná e o fluxo de pessoas entre os estados pode ter originado o aumento dos casos por aqui”, explica a coordenadora de Vigilância Ambiental da Sesa, Ivana Belmonte.

Características

A chikungunya causa febre e dores nas articulações. Outros sintomas incluem dor muscular, dor de cabeça, náusea, fadiga e erupção cutânea.

Aproximadamente 50% dos casos evoluem para a forma crônica; as dores podem persistir ppor meses ou até anos, causando debilitação do paciente.

Dengue

O Informe publicado hoje (20) pela Secretaria Estadual da Saúde registra 1.289 novos casos confirmados da dengue no Paraná. O período epidemiológico, com início de agosto de 2020, soma 9.909 casos distribuídos em 247 municípios.

As 22 Regionais de Saúde têm confirmações de dengue; em 20 Regionais estão confirmados casos autóctones, ou seja, as pessoas se contaminaram no município de residência. O Paraná totaliza 8.741 casos autóctones.

O Informe registra ainda 55.198 notificações para a dengue no estado, em 354 municípios. Outros 10.856 casos seguem em investigação para a doença.

Informações Banda B

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Ao menos sete capitais já atrasam aplicação de segunda dose da Coronavac

Pelo menos sete capitais brasileiras estão com a aplicação da segunda dose da Coronavac atrasada após mudança no cronograma de entrega do imunizante. Em outras capitais, foi preciso restabelecer a ordem de prioridades da imunização, escalonando os grupos por idade ou ordem alfabética. Pelo menos 164 mil pessoas foram afetadas pela demora nos repasses.

Em Salvador, a secretaria municipal da Saúde está aplicando a segunda dose da Coronavac apenas em quem estava marcado inicialmente para o dia 1º de maio e cujos nomes começam com as letras a e b. A capital baiana informa que segue com baixo estoque da vacina produzida pelo Instituto Butantan/Sinovac, e culpa o desabastecimento do governo federal pelo atraso.

Um lote de cerca de 4 milhões de doses da Coronavac que deveria ter sido entregue até o final de abril sofreu atraso e será fornecido a partir desta semana. Como em março o Ministério da Saúde havia orientado Estados e municípios a não reservarem a segunda dose para quem já tomou a primeira, cidades viram seus estoques esgotarem diante do imprevisto no cronograma. O Butantan promete enviar na próxima quinta-feira, 5, um lote de 1 milhão de doses das 4 milhões atrasadas.

No Rio de Janeiro, a aplicação foi suspensa por 10 dias, após a capital fluminense ter esgotado toda a sua reserva técnica, utilizada para cobrir a segunda dose após o desabastecimento. Em nota, a secretaria municipal informa que o cronograma enviado pelo Ministério da Saúde não será suficiente para repor o estoque dentro do prazo previsto e, por ora, vai terminar a imunização apenas em idosos acamados e acima dos 70 anos. A partir da próxima terça-feira, 4, será a vez de quem tem mais de 67 anos.

Desde 26 de abril, Maceió enfrenta atrasos e entregas insuficientes de doses da vacina para atender à demanda pela segunda dose. A aplicação prevista para aquela data tinha sido remanejada para o último fim de semana, mas a capital do Alagoas afirma ter recebido um lote com 10 mil doses a menos do que o necessário, o qual se esgotou desde o meio-dia desta segunda-feira, 3.

Outras cerca de seis mil pessoas também aguardam a nova remessa de Coronavac do governo federal para terminarem a imunização em Porto Velho, capital de Rondônia. Por lá, a aplicação da segunda dose também está suspensa desde 26 de abril, e a secretaria municipal de Saúde afirma esperar o prazo de 10 dias dado pelo ministério para a regularização das entregas.

As entregas insuficientes também foram registradas em Porto Alegre e Recife. Na capital do Rio Grande do Sul, o município estima que mais de 59 mil pessoas tiveram a imunização interrompida desde 29 de abril. As duas últimas entregas feitas no município foram de cerca de 7 mil doses, abaixo das 30 mil necessárias.

Já na capital de Pernambuco, a Prefeitura tem remarcado através de mensagens de texto, email e whatsapp a aplicação da segunda dose para mais de 79 mil pessoas agendadas para esta semana. Por lá, o calendário foi adiado em uma semana e deve ser retomado a partir da próxima segunda-feira, 10. O município afirma que, desde 21 de março, seguiu as diretrizes do Ministério da Saúde que recomendavam a aplicação da Coronavac apenas para a primeira dose.

“Na ocasião, a pasta federal atestou que os novos envios do imunizante seriam constantes, o que não ocorreu e provocou a escassez da Coronavac para segunda dose em dezenas de cidades, incluindo capitais, em todo o País”, diz a nota enviada à reportagem.

As administrações municipais de Belém, São Luís, Fortaleza, Florianópolis, Manaus, Curitiba, Boa Vista, Vitória e São Paulo afirmaram que estão aplicando normalmente a segunda dose da Coronavac nesta segunda-feira, 3.

A prefeitura de Goiânia negou que tenha havido suspensão da oferta da segunda dose por escassez de imunizantes, mas esclareceu que a aplicação será retomada na próxima quinta-feira, 6, data já prevista para a administração dos reforços. As demais capitais não responderam o questionamento da reportagem.

Nove Estados relatam interrupção da campanha em alguns municípios

Outras cidades além das capitais também sofrem com a escassez da Coronavac e tiveram que interromper a aplicação da segunda dose. Segundo levantamento feito pelo Estadão com as 27 secretarias estaduais da Saúde, ao menos nove Estados admitem ter municípios nessa situação.

O governo do Ceará relatou ter sido informado por 26 prefeituras na semana passada sobre o esgotamento das doses e a interrupção da aplicação do reforço do imunizante. A Secretaria da Saúde cearense disse que essas cidades estão tendo prioridade de recebimento das novas remessas. Dois dos municípios que estavam sem doses, entre eles Fortaleza, receberam novos lotes nesta segunda-feira, 3. As outras 24 deverão começar a ter seus estoques reabastecidos a partir desta terça-feira, 4.

No Paraná, são 14 municípios com a aplicação da segunda dose suspensa. O Estado não deu uma previsão de quando a vacinação será retomada nessas cidades porque disse depender da entrega pelo Ministério da Saúde. “O Paraná tem solicitado constantemente o envio de mais doses ao Ministério da Saúde. O Estado aguarda a confirmação da pasta sobre novas datas. Tão logo essas doses cheguem, elas serão encaminhadas para os municípios darem continuidade à vacinação”, destacou a secretaria, em nota.

No Mato Grosso, dois municípios reportaram o problema e a expectativa do governo estadual é de regularização também a partir de terça. No Amazonas, somente a capital, Manaus, teve que suspender a aplicação do reforço.

Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul não informaram o total de cidades atingidas pelo problema, mas estimam que mais de 500 mil pessoas já estejam com a aplicação da segunda dose atrasadas ou próxima da data limite: são 65,6 mil potiguares com doses em atraso e 464,7 mil gaúchos que receberam a primeira aplicação proveniente de lotes enviados entre 20 de março e 2 de abril e que, portanto, já teriam ultrapassado os 28 dias de intervalo determinado pelo fabricante.

Mato Grosso do Sul disse que 94 mil pessoas estão com a segunda dose em atraso. Bahia afirmou que recebeu a informação de que cidades do Estado interromperam a aplicação, mas não soube precisar o número de municípios ou pessoas prejudicadas.

Minas Gerais disse que foi comunicada por municípios sobre a falta de imunizantes, mas ainda está levantando a dimensão do problema. “Diante deste cenário, a SES-MG enviou aos municípios o formulário para preenchimento referente ao quantitativo de doses necessárias para completar o esquema vacinal. Após levantamento dos dados, a Secretaria irá enviar ofício ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), solicitando que o Ministério da Saúde recomponha os imunizantes relativos à segunda dose para os municípios afetados”, declarou a Secretaria da Saúde mineira.

Distrito Federal, Pará, Pernambuco, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins disseram não ter registro de interrupção da aplicação da segunda dose em seus territórios. Os demais Estados não responderam.

Nesta segunda, 3, o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu que gestores públicos podem responder a ações de improbidade caso atrasem a aplicação da segunda dose das vacinas contra a covid. A manifestação consta em decisão proferida para suspender decisão do Tribunal de Justiça do Rio que validou decreto estadual que alterava a ordem de prioridades do imunizante.

Vacinação reduz pela metade morte entre idosos com mais de 80 anos, aponta pesquisa

A proporção de mortes de idosos com 80 anos ou mais caiu pela metade no Brasil após o início da vacinação contra a covid-19. Os dados fazem parte de um estudo liderado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). O percentual médio de vítimas dessa faixa etária era de 25% a 30% em 2020 e passou para 13% no final de abril.  Quando teve início a imunização, em janeiro de 2021, o percentual era de 28%.

De acordo com o Cesar Victora, epidemiologista e líder da pesquisa, outros estudos já demonstraram a associação entre a vacinação e a queda nas internações e nas mortes, por exemplo a partir dos dados da população de Israel. A novidade desta análise é que o mesmo se confirma em um cenário com predominância da variante P1. Em Israel, a imunização alcança mais de 55% da população, segundo dados da plataforma Our World in Data, da Universidade de Oxford.

A pesquisa liderada pela UFPel indica que pelo menos 13,8 mil mortes de brasileiros com 80 anos ou mais em um intervalo de oito semanas foram evitadas. O país registra 407.639 mortes por covid-19, conforme atualização do Ministério da Saúde divulgada nesse domingo (2). Em 24 horas, foram 1.202 novas mortes. A aplicação da primeira dose alcança cerca de 14% dos brasileiros; e 6,5% receberam as duas doses.

Os dados utilizados na análise foram disponibilizados pelo Ministério da Saúde e referem-se ao período de 3 de janeiro a 22 de abril. Nessas datas, 171.454 pessoas morreram pelo novo coronavírus no Brasil.

No começo de 2021, a taxa de mortalidade entre pessoas de 80 anos ou mais era 13,7 vezes maior do que para pessoas com zero a 79 anos. De acordo com o estudo, essa relação caiu para 6,9 vezes no início de abril.

As estimativas dos pesquisadores apontam que, com a nova cepa, se o número de mortes entre os mais idosos tivesse continuado no mesmo ritmo observado para grupos etários mais jovens, seriam esperadas quase 48 mil mortes contra as 34.168 registradas no período.

Os níveis nacionais de cobertura vacinal com a primeira dose nessa faixa etária chegaram a 50% na primeira quinzena de fevereiro, a 80% na segunda quinzena do mês e ficou em 95% em março. Os pesquisadores apontam que os resultados de queda da mortalidade encontrados são compatíveis com o efeito protetor da primeira dose e deve aumentar a partir da segunda.

O estudo também confirma que as vacinas aplicadas no Brasil protegem mesmo em um cenário em que a P1 predomina. Pesquisas com profissionais de saúde vacinados em Manaus e São Paulo já demonstravam essa proteção.