Sem vacina anticovid, Curitiba teria 20 vezes mais mortes com aumento de casos, diz infectologista

Curitiba tem registrado uma média de 1,4 mil novos casos diários de infecção por Covid-19, contra um volume que já foi de cerca de 30 em momentos considerados mais “leves” de transmissão da doença. No passado, a capital paranaense chegou a esta marca mais elevada e, na ocasião, os moradores ainda não eram vacinados ou ainda não estavam com o ciclo vacinal completo.

Caso a vacina ainda não existisse ou o país não tivesse adotado o protocolo do imunizante, provavelmente estaríamos vivendo um novo caos nos hospitais e grande quantidade de mortes, como foi em períodos iniciais de 2020. É o que avalia o infectologista Bernardo Almeida, de Curitiba.

“Se não tivéssemos uma população vacinada, a gente poderia ter algo próximo aí a 20 vezes mais óbitos, comparado ao que a gente está tendo nesse momento”,

afirma o especialista.

O Brasil não tem estudos oficiais sobre óbitos que foram prevenidos por conta da vacinação. Porém, segundo Almeida, é possível tomar levantamentos realizados em outros países, alguns meses atrás, como base para nossa população ou quaisquer outras nações.

Países como Reino Unido, EUA, Israel e Chile, cita o médico, têm uma vigilância epidemiológica mais consistente e a política de avaliar o número de casos, hospitalizações e óbitos entre vacinados e não vacinados. “Através desses dados, podemos ter uma estimativa grosseira do que pode estar acontecendo aqui de eficácia e prevenção em relação a esses desfechos.”

Os estudos são pré-ômicron, porém, de acordo com o infectologista, ainda assim são válidos para se ter um entendimento do nosso cenário local.

“Claro que esse panorama já variou, porque o número de infecções aumentou drasticamente com a entrada da variante ômicron. Apesar da cepa ter capacidade de gerar infecção mesmo em vacinados ou mesmo em quem teve infecção prévia, a probabilidade de casos graves e óbitos caiu consideravelmente [em vacinados]. Os riscos de complicações foram reduzidos muito, em parte por conta da vacinação”, esclarece.

Pressão ao sistema de saúde

A última atualização do Painel Covid da prefeitura de Curitiba (até às 11h desta terça-feira (11), mostra que até o final da tarde de segunda-feira (10), 57% dos leitos UTI SUS estavam ocupados (o índice já chegou a praticamente 100% em 2020) e que há 28 leitos de UTI SUS livres.

A vacinação e, por consequência, a queda nos internamentos de pacientes graves nos últimos meses, levou fôlego aos hospitais de Curitiba e alívio às equipes médicas. O novo cenário, porém, preocupa e acende a luz de alerta, destaca Almeida.

“O aumento substancial de casos pode dim gerar, e deve acontecer isso, alguma demanda de pressão do sistema de saúde. Mesmo essa onda da ômicron sendo “menos grave” (entre aspas porque ainda tem essa possibilidade), se você aumentar muito o número de casos, você vai aumentar também os casos graves, mesmo que em proporção menor”, diz.

O especialista explica:

“Em uma situação hipotética, imagine que a ômicron tem 50% menos chance de gerar um óbito, comparado à variante delta. Se você aumentar em quatro vezes o número de casos, mesmo tendo probabilidade menor de gerar quadro grave, mas, como aumentou muito o número de casos, vai ter o dobro de óbitos. Então, mesmo sendo menos grave, existe receio, do ponto de vista coletivo, pode sim gerar problemas para o sistema de saúde. Realmente é preocupante o aumento explosivo no número de casos e deve refletir no número de internamentos.”

Almeida lembra que os internamento e óbitos acontecem depois dos casos, então ainda não houve tempo hábil para avaliar o real impacto dessa explosão de casos. “Foi muito recente, coisa de uma, duas semanas para cá. Então, é daqui para frente que vamos começar a, provavelmente, ter reflexos em internamentos e em óbitos.

Prevenção cinco vezes maior em vacinados

A vacina contra covid-19 previne a infecção pelo vírus em cinco vezes. Ou seja, o risco de não vacinado contrair a doença é cinco vezes maior, se comparado a uma pessoa imunizada com as duas doses da vacina ou com a vacina de dose única. No caso de quem tomou vacina de reforço, a prevenção quase triplica: “É cerca de 14 vezes maior em um indivíduo com reforço vacinal para infecção”, complementa Almeida.

A chance de morte para o não vacinado é 20 vezes maior em relação a um vacinado e 25 vezes maior ao que recebeu a dose de reforço. Os números se aplicam a todas as faixas etárias, de crianças a idosos.

“Esses dados não deixam dúvidas em relação ao impacto positivo da vacina”, conclui o infectologista.

A pandemia vai terminar?

A sensação, desde que começou a pandemia, em março de 2020, é de vivermos uma montanha-russa. Quando pensamos que o problema vai ser dominado, novas questões preocupantes surgem. De acordo com o infectologista Bernardo Almeida, apesar dos obstáculos, a pandemia pode estar caminhando para o controle.

“Vai acabar sim. Pandemias não duram para sempre. Já vivemos situações pandêmicas no passado, sabemos o que pode acontecer. Só nao dá para estimar quando, infelizmente, porque depende muito do surgimento de novas variantes e o comportamento delas em relação à vacina e à imunidade”,

afirma.

Segundo o especialista, há uma expectativa muito grande da comunidade médica em relação à tão sonhada transição da fase pandêmica para a fase endêmica. Saberemos que ela ocorreu quando, via de regra, a normalidade da vida voltar e todos estiverem restabelecidos, sem a necessidade de adaptações ao vírus.

“Ou, do ponto de vista epidemiológico, quando houver uma previsibilidade sobre o número de casos e óbitos, claro que em uma taxa basal bem menor que do período pandêmico. O que não quer dizer que não tenhamos ondas, como temos com influenza, quando no inverno faz pico. Isso provavelmente também vai acontecer com o SARS-Cov-2, mas com impacto muito menor em relação ao que vivemos atualmente e nos últimos dois anos.”

Informações Banda B

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CoronaVac é incluída no plano de vacinação para crianças

O Ministério da Saúde anunciou hoje (21) a inclusão da vacina contra a covid-19 CoronaVac para crianças e adolescentes de 6 a 17 anos pelo Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a Covid-19. A pasta abriu negociações com o Instituto Butantan, responsável pela produção do imunizante, para a aquisição de doses.

A inclusão ocorre um dia após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovar o uso da CoronaVac em pessoas de 6 a 17 anos. Foi o segundo imunizante pediátrico autorizado pela agência. O primeiro foi o da Pfizer.

Nesta sexta-feira, em Brasília, o secretário executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz, informou que a pasta oficiou o Instituto Butantan para saber qual o quantitativo disponível para uma possível compra. A instituição de pesquisa respondeu com a disponibilidade de sete milhões de doses.

No entanto, um contrato de compra ainda depende de um levantamento dos estados. Cruz declarou que o Ministério da Saúde vai sondar os estados, pois ainda há em estoques da pasta seis milhões de doses, além de outros três milhões em estoques de diferentes estados.

“A gente vai provocar os estados para que eles nos informem se querem receber CoronaVac ou Pfizer e quanto tem na rede estadual e municipal para que façamos distribuição mais equânime”, disse o secretário executivo. Segundo Cruz, o processo deve ser concluído na próxima semana, a depender do levantamento dos estados.

Em nota, o Instituto Butantan informou que pode ampliar a produção para além dos sete milhões, caso haja interesse por parte do Programa Nacional de Imunizações.

Fim de semana será com festivais esportivos e recreação em seis parques da cidade

O segundo fim de semana do Verão Curitiba 2022 vai agitar os seis parques da cidade que recebem as atividades recreativas e esportivas preparadas pela Secretaria Municipal do Esporte, Lazer e Juventude (Smelj). No sábado (22/1) e domingo (23/1), os curitibinhas e suas famílias vão poder aproveitar as brincadeiras gratuitas das 14h às 18h nos parques Barigui, Bacacheri, Lago Azul, Náutico, Passaúna e Passeio Público. 

Todas as atividades seguem os cuidados e protocolos sanitários contra a covid-19. Em caso de chuvas, as atividades são suspensas. 

O Verão Curitiba 2022 tem o patrocínio da RIC TV e apoio da Megamania, MRV, Hospital de Olhos do Paraná e Jovem Pan Curitiba. Confira aqui os locais onde são feitas as atividades do Verão Curitiba 2022.

Profissionais de Educação Física da Smelj estarão nos locais para orientar os participantes e reforçar a importância dos cuidados sanitários durante a prática das atividades. Entre as atrações recreativas para as famílias estarão disponíveis orientações para a prática segura de atividade física, aulões de ginástica, jogos de tabuleiro gigantes e brincadeiras.

Festivais esportivos

Neste fim de semana os festivais esportivos da Smelj terão Caçador, Queimada e Badminton no Parque Barigui; Futebol de Areia no Parque Bacacheri; Atletismo – Arremesso no Passeio Público; Minivoleibol e Skate no Parque Náutico; Caçador – Queimada no Parque Lago Azul; e Bets e Tênis de Mesa no Parque Passaúna.

O fim de semana do Verão Curitiba 2022 vai agitar os seis parques da cidade que recebem as atividades recreativas e esportivas preparadas pela Secretaria Municipal do Esporte, Lazer e Juventude. Foto: Fabio Decolin/Smelj

Atividades sistemáticas em todos os parques (todo fim de semana, das 14h às 18h):

Aulões de Ginástica
Pintura no papel kraft
Circuito infantil de bicicleta
Atividades esportivas
Jogos lúdicos de tabuleiro
Xadrez gigante, ping-pong e perna de pau
Brinquedos inclusivos

Cuidados

Caso algum integrante da família apresente sintomas respiratórios leves, a orientação é que não vá participar das ações do Verão Curitiba. A pessoa deve se isolar e procurar o suporte dos serviços de Saúde da Prefeitura, prioritariamente pela Central 3350-9000.

Aqui você pode conferir todas as orientações e cuidados em caso de suspeitas de covid-19 ou gripe.