O uso excessivo de celulares, tablets, computadores e televisores pode afetar a saúde física e mental de crianças e adolescentes. A Secretaria da Saúde do Paraná (Sesa) alerta pais e responsáveis sobre os riscos da exposição prolongada às telas e reforça a importância de estabelecer limites desde os primeiros anos de vida.
Embora a tecnologia faça parte do cotidiano, o tempo excessivo diante das telas pode comprometer atividades importantes para o desenvolvimento infantil, como brincar, praticar exercícios físicos, conversar e conviver com outras pessoas.
Um dos principais impactos está relacionado à qualidade do sono. O uso de dispositivos eletrônicos, especialmente antes de dormir, pode interferir na produção de melatonina, hormônio responsável pela regulação do sono. Como consequência, crianças e adolescentes podem apresentar irritabilidade, sonolência durante o dia, dificuldades de concentração e prejuízos à memória.
A exposição prolongada também pode causar cansaço visual, ressecamento dos olhos, dores de cabeça e visão embaçada. O excesso de atividades realizadas de perto, associado ao pouco tempo ao ar livre, está relacionado ao maior risco de desenvolvimento e progressão da miopia.
Na aprendizagem, o uso excessivo pode prejudicar o desenvolvimento da linguagem, da criatividade, da atenção e das habilidades sociais, principalmente quando substitui brincadeiras, leitura e interações presenciais.
“A saúde das nossas crianças e adolescentes exige atenção também ao ambiente digital. Nosso compromisso é orientar e conscientizar a população, reforçando que a prevenção começa desde cedo, com a participação ativa dos pais e responsáveis. O equilíbrio no uso das telas é fundamental para garantir um crescimento mais saudável”, afirmou o secretário de Estado da Saúde, César Neves.
Os efeitos também podem atingir a saúde emocional. O uso problemático de tecnologias está associado a sintomas de ansiedade e depressão, dificuldades de atenção e concentração, alterações de humor, sentimentos de solidão e problemas de sono.
Segundo Thiago Henrique Roza, médico especialista em saúde mental do Hospital Adauto Botelho (HAB), situado em Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, essa relação pode ocorrer nos dois sentidos. “Crianças e adolescentes que enfrentam dificuldades emocionais podem recorrer às tecnologias como forma de lidar com esses sentimentos, enquanto o uso problemático dos dispositivos também pode contribuir para o agravamento dos sintomas”.
O especialista chama a atenção para sinais que podem indicar uma relação prejudicial com a tecnologia, como o abandono de atividades presenciais, o afastamento dos amigos, o sedentarismo, a troca do dia pela noite e manifestações de sofrimento emocional.
“A frequência de uso, os conteúdos acessados e os prejuízos provocados na vida cotidiana precisam ser observados pelas famílias. Outro aspecto é o uso de jogos eletrônicos e redes sociais, que pode estar associado a dificuldades de controle do comportamento e a outros problemas de saúde mental”, complementou Thiago Henrique Roza.
De acordo com a médica pediatra Thaisa Vieira Sonnberger, do Hospital Infantil Waldemar Monastier (HIWM), as recomendações variam entre as instituições, mas há um consenso: quanto menor a criança, maior deve ser o cuidado com a exposição às telas. Os primeiros anos são fundamentais para o desenvolvimento cerebral, da linguagem e dos vínculos afetivos.
“Não existe um único limite diário que seja ideal para todas as idades e situações. O importante é diferenciar o uso recreativo do uso para estudar e manter contato com outras pessoas, além de observar o impacto na vida cotidiana”, explica.
A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda tempo de tela zero para menores de 2 anos, com exceção de videochamadas com familiares quando acompanhadas por um adulto.
Para crianças de 2 a 5 anos, a orientação é limitar o uso a até 1 hora por dia, preferencialmente com conteúdo de qualidade e participação dos pais.
Na faixa de 6 a 10 anos, o limite recomendado é de no máximo uma a duas horas por dia, com acompanhamento dos responsáveis.
Para adolescentes, a recomendação é limitar o uso recreativo a duas ou três horas diárias e evitar permanecer conectado durante a madrugada.
A Secretaria da Saúde do Paraná ressalta que o objetivo não é eliminar a tecnologia da rotina, mas incentivar seu uso equilibrado e consciente, considerando a idade, o conteúdo acessado e o tempo de exposição. A medida busca preservar o desenvolvimento pleno, saudável e integral de crianças e adolescentes.
Com informações da Agência Estadual de Notícias do Paraná.
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