Saúde diz que ocupação de leitos na região de Curitiba preocupa e alerta: “Ter UTI não garante que a pessoa sairá”

Na semana em que o Paraná registrou um forte crescimento no número de casos confirmados da Covid-19, a preocupação sobre a disponibilidade de leitos para atender pacientes infectados pela doença tem sido discutida pela Secretaria da Saúde do Estado, principalmente sobre Curitiba e Região Metropolitana. Em entrevista à Banda B, na tarde desta quarta-feira (18), o diretor de Gestão em Saúde da Sesa, Vinícius Filipak, fez um alerta sobre a taxa de mortalidade.

Nos últimos dois meses, com a queda no número de casos e de mortes, leitos exclusivos destinados à Covid-19 passaram a ser desativados. De acordo com Filipak, no dia 15 de agosto, por exemplo, haviam 1.150 leitos de UTIs funcionando em todo o Paraná. Época esta que o gestor disse ter sido o pico da pandemia.

“No começo de outubro e novembro, tivemos uma redução progressiva dos casos semanais e isso permitiu que pudéssemos rever a quantidade de leitos exclusivos para que conseguíssemos fazer com que os hospitais voltassem a fazer atendimentos regulares”, explicou.

De acordo com ele, dois critérios foram levados em consideração no momento em que se decidiu desativar leitos: “Em primeiro lugar, é a redução no número de casos novos. Se há menos casos, teremos menos internações. Em segundo, a ocupação efetiva dos leitos que estão disponíveis para que os pacientes contaminados possam ser internados, tanto de UTI quanto de enfermaria. Se essa ocupação estiver abaixo de 50%, é tranquilamente possível fazer essa redução sem que haja o risco de falta de assistência à população”.

Em Curitiba, uma das regiões que tem preocupado as autoridades sanitárias, as cirurgias eletivas haviam sido liberadas: um reflexo da redução de internamentos pela Covid-19. No entanto, na última terça-feira (17) a capital paranaense chegou a marca de cinco hospitais com ocupação de 100% nas UTIs, e a medida sobre as cirurgias foi revogada.

A suspensão dos procedimentos vai ao encontro da preocupação da Sesa em relação a alta procura por atendimento médico nos últimos dias. Curitiba, que voltou à bandeira amarela no final de setembro e flexibilizou diversas medidas, bateu um novo recorde nesta quarta (18). De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, a cidade registrou 914 novos casos de Covid-19 e chegou a marca de 62.649 infectados.

Reativação

O diretor de Gestão em Saúde da Sesa deixou claro, durante entrevista à Banda B, que não há como ignorar o expressivo aumento nos casos do novo coronavírus. Para ele, com este crescimento não é possível manter o que ele chamou de “estratégia de desativação programada”: “Se houver aumento no número de casos que pressione a necessidade de internação, nós reativaremos os leitos da mesma forma”.

Segundo Vinícius, a região Leste do Estado, que comporta Curitiba e Região Metropolitana é a que mais preocupa devido ao número de habitantes. Ele enfatizou que a ocupação de leitos de UTIs nesta região é de 82% e observou: “É um número muito elevado”.

Ainda, o diretor afirmou que no Paraná há 1.358 pacientes internados e que existem 722 vagas livres em hospitais.

“Mesmo que tenhamos leitos disponíveis em quantidade suficiente e que nunca falte, isso não é garantia de que a pessoa que é internada tenha capacidade de sair com vida. Infelizmente, a cada 100 paciente que é internado nos leitos exclusivos para Covid entre 20 e 25 morrem”, disse após revelar que o Estado já teve 2.400 pacientes internados simultaneamente em leitos Covid.

Pandemia não acabou

Filipak, além de mencionar dados, alertou que é essencial a população entender o risco que sofre em meio à pandemia. Para ele, o principal é continuar mantendo as medidas de prevenção, como distanciamento social, utilização de máscaras e álcool em gel.

“Todo mundo está muito cansado disso, é algo desgastante, mas as pessoas precisam entender o risco ao qual estão sendo submetidas. Recursos de assistência podem se esgotar”, disse.

Números no Paraná

A Secretaria de Estado da Saúde confirmou, nesta quarta-feira (18), 3.040 novos casos da Covid-19, incluindo diagnósticos que ainda não haviam sido inclusos no sistema de monitoramento da doença. Portanto, chegou ao total de 243.654 infectados. Já o número de mortes está em 5.742 após serem confirmados 35 novos óbitos em 24 horas.

Em relação a Curitiba, que já conta com mais de 7,7 mil casos ativos, houve a confirmação de mais 914 casos e 11 mortes. Com isso, a capital paranaense conta com 62.649 infecções e 1.593 mortes.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a taxa de ocupação de leitos de UTIs é de 82%; há apenas 50 leitos livres.

Informações Banda B.

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Câmara autoriza laboratório veterinário a produzir vacinas contra Covid-19

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (15) o projeto de lei que autoriza, temporariamente, que laboratórios de vacinas de uso veterinário possam começar a produzir imunizantes contra a covid-19. O objetivo é aumentar a oferta de doses de vacina e acelerar a imunização da população.

Oriundo do Senado, a matéria retorna para análise dos senadores em virtude das mudanças aprovadas pelos deputados. Um artigo foi acrescentado para determinar que as instalações tenham um processo de gerenciamento de risco a fim de evitar contaminação cruzada.

Pelo texto da deputada Aline Sleutjes (PSL-PR), os laboratórios poderão produzir ainda o insumo farmacêutico ativo (IFA) e terão de cumprir exigências de biossegurança e normas sanitárias. Esses estabelecimentos devem realizar todo o processo de produção até o armazenamento em dependências fisicamente separadas daquelas usadas para produtos de uso veterinário.

O texto prevê ainda que, se a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizar, o armazenamento poderá ocorrer na mesma área usada para as vacinas veterinárias, se for possível identificar e separar cada tipo de imunizante (animal e humano).

Segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), o setor tem capacidade instalada e detém a tecnologia necessária para produzir vacinas humanas. O sindicato esclareceu que a indústria de saúde animal no Brasil pode adaptar facilmente suas instalações para o nível de segurança 4, exigido para a produção de vacinas de uso humano.

A matéria determina também que a Anvisa coloque prioridade na análise dos pedidos de autorização para essas empresas fabricarem o IFA e as vacinas contra a covid-19. Enquanto produzirem vacinas para uso humano, os laboratórios de vacina animal estarão sujeitos à fiscalização e às normas da Anvisa.

Com vacinação, idosos passam de maioria para um quarto dos pacientes que dão entrada nas UTIs

A vacinação maciça da população com mais de 60 anos já traz reflexos nas internações de idosos nas UTIs exclusivas para a Covid-19 do Sistema Único de Saúde (SUS) do Paraná, que vem reduzindo significativamente. Desde o início da pandemia, em março de 2020, a taxa de idosos que davam entrada nos leitos intensivos era sempre próxima ou superior a 60%. O percentual se inverteu em maio e, pela primeira vez, ficou abaixo da metade.

No mês passado, as pessoas com mais de 60 anos representavam 33% dos pacientes que deram entrada nas UTIs. Essa taxa foi ainda mais baixa na primeira quinzena de junho, quando 24% dos internamentos eram nessa faixa etária.

Os dados são da Regulação Estadual de Leitos, administrada pela Secretaria de Estado da Saúde, e não incluem informações de Curitiba, Região Metropolitana e dos hospitais particulares. Tanto a Capital como o serviço privado utilizam sistemas próprios de monitoramento.

Os índices de internamento de idosos estão caindo desde o início da campanha de vacinação, em janeiro deste ano. Em paralelo, houve crescimento na ocupação desses leitos nas demais idades, principalmente na faixa de 40 a 50 anos, que subiu de 10% para 21% do total de janeiro para maio, e dos 30 aos 40 anos, com aumento de 6% para 11% no período.

“A vacina é a nossa principal arma para vencer a pandemia de Covid-19 e controlar a circulação do coronavírus. O resultado que vemos no público que mais foi vacinado no Estado mostra exatamente que esse é o caminho certo”, afirma o governador Carlos Massa Ratinho Junior. “Estamos trabalhando em conjunto com os municípios para acelerar o processo de vacinação no Paraná e queremos aplicar a primeira dose em toda a população adulta até o final de setembro”.

QUEDA 

De março a dezembro de 2020, a média de idosos ocupando esses leitos foi de 63%. Dos 14.418 pacientes internados em UTIs exclusivas no Interior do Estado no ano passado, 9.061 tinham mais de 60 anos. O Paraná abriu o ano com a maior taxa de internamento de idosos desde o começo da pandemia, 65% do total de ocupação dos leitos intensivos.

O índice então caiu para 56% em fevereiro, 51% em março, 50% em abril e 33% em maio. Na primeira quinzena de junho, dos 142 pacientes que deram entrada, 34 tinham mais de 60 anos. “Temos orientado as equipes municipais constantemente para que realizem ações voltadas à ampliação da vacinação em todos os grupos prioritários e agora também na população em geral”, ressalta o secretário estadual da Saúde, Beto Preto.

Em números absolutos, maio foi o mês com o menor internamento de idosos em UTIs Covid desde novembro de 2020. No mês passado, foram internados 1.390 pacientes com mais de 60 anos, 40% a menos do que no mês anterior, quando 1.947 pessoas nessa faixa etária foram colocadas nas UTIs. Em comparação, o número de pacientes gerais subiram 6,4% entre abril e maio, de 3.889 para 4.154 pessoas.

VACINAÇÃO 

De acordo com a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), de janeiro a maio o Paraná aplicou 2.609.994 doses de vacina contra a Covid-19 em pessoas com 60 anos ou mais, 67,8% das 3.850.529 do total de doses aplicadas no período.

Até a terça-feira (15), 2.041.861 pessoas nessa faixa etária tinham sido vacinadas, incluindo aquelas que vivem em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs). Destas, 46% já completaram o ciclo vacinal, ao receberem as duas doses do imunizante. Segundo os dados do Vacinômetro do SUS, compilados pelo Ministério da Saúde com base nas atualizações dos municípios, os idosos receberam 64% de todas as doses de vacinas aplicadas no Paraná.

Dentre os vacinados, 1,11 milhão receberam a vacina AstraZeneca, que possui um período de 12 semanas entre a primeira e segunda aplicação. Mais de 98% deste público deve receber a segunda dose até julho.

CASOS E ÓBITOS 

A análise de casos e óbitos por Covid-19 em idosos também mostra redução no período. Em janeiro deste ano o Paraná confirmou 17.298 casos em pessoas com mais de 60 anos, este número representava 14,76% do total dos casos positivados no período. Já em maio, 15.401 idosos foram infectados pela doença, porém o percentual pelo número total de confirmações baixou para 10,98%.

Considerando o mesmo período, em janeiro o Estado registrou 1.487 óbitos nesta faixa etária e em maio 1.916. Embora o número absoluto tenha um aumento, houve redução no percentual de idosos quando comparado ao número total de mortes. O índice passou de 78,59% no início do ano para 53,22% no mês passado.

A Secretaria de Estado da Saúde já tinha publicado uma análise em 19 de maio que apontava para resultados satisfatórios com a vacinação do público idoso. Na época, o estudo prévio já mostrava quedas no percentual de óbitos pela doença em pessoas com mais de 70 anos, na idade média dos óbitos, nas internações dos idosos e nos surtos de Covid-19 nas ILPIs do Estado.

OUTRAS FAIXAS ETÁRIAS 

Enquanto houve queda nos internamentos dos idosos, aumentou a ocupação das UTIs com pessoas mais novas nos últimos meses. Em 2020, a média de pacientes na faixa dos 50 aos 59 anos era de 17%. Subiu para 29% em maio e, em junho, 34% das pessoas foram internadas nesses leitos.

Os pacientes com idade entre 40 e 49 anos representavam 10% dos internamentos no ano passado. Em maio foram 21% e, em junho, 23%. Na faixa dos 30 anos, passou de 6% dos que deram entrada em 2020 para 11% em maio e 13% nas primeiras semanas de junho. Nas demais faixas, os índices permaneceram semelhantes: dos 20 aos 29 anos eram 3% no ano passado e agora estão em 4%. De zero a 9 anos e de 10 a 19 anos, continuam ocupando 1% das vagas em cada faixa de idade.

Confira o estudo completo AQUI.