Estudo Revela Ameaça de Extinção do Sapo do Deserto de Sonora
Um estudo apresentado na conferência Psychedelic Science, em Denver, EUA, aponta para uma preocupante ameaça de extinção do sapo do deserto de Sonora (Incilius alvarius). A pesquisa destaca o papel da crescente popularidade das substâncias alucinógenas produzidas pelo animal, especialmente o 5-MeO-DMT, na diminuição da população da espécie.
Status de Conservação Questionável
Embora o sapo do deserto de Sonora seja classificado como “menos preocupante” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), o status atual pode não refletir a realidade. Relatos anedóticos e observações de campo indicam uma queda significativa nas populações nos últimos anos, possivelmente devido ao crescente interesse humano no 5-MeO-DMT, que é encontrado nas secreções do sapo.
Popularização do 5-MeO-DMT
O 5-MeO-DMT foi identificado nas secreções do sapo desde 1967, mas sua notoriedade só começou em 2014, quando meios de comunicação destacaram seu uso recreativo. Anny Ortiz, primeira autora do estudo e terapeuta clínica da Universidade de Wisconsin-Madison, alerta que essa divulgação gerou uma narrativa enganosamente mística sobre uma “medicina do sapo”, sem qualquer base científica.
Impactos da Exploração Humana
Em entrevista ao The New York Times, Ortiz afirma que a busca desenfreada pelo veneno do sapo, associada à destruição de habitats naturais e às mudanças climáticas, representa um “triplo golpe” para a espécie. A popularidade do 5-MeO-DMT, elogiado por suas propriedades terapêuticas em quadros como depressão e ansiedade, impulsionou a criação de “igrejas de sapos” em diversos estados dos EUA.
Além disso, o 5-MeO-DMT é classificado como uma substância controlada de Classe I nos EUA, devido ao seu alto potencial de abuso e à ausência de uso médico reconhecido. Contudo, algumas organizações religiosas obtiveram permissões para seu uso sob alegações de caráter sacramental.
Consequências Ecológicas da Extinção
Para validar a ameaça à espécie, Ortiz e Georgina Santos-Barrera, professora da Universidade Nacional Autônoma do México, realizaram uma avaliação de conservação entre 2020 e 2024. Durante a pesquisa, observaram uma queda no número de sapos adultos e juvenis, além do desaparecimento de três populações inteiras, o que sugere sérios problemas ecológicos à vista.
Santos-Barrera destacou que a extinção dos sapos poderá resultar num aumento descontrolado da população de insetos, comprometendo ecossistemas locais e a agricultura. A pesquisa, quando publicada, deverá solicitar uma reavaliação do status de conservação do I. alvarius, com a intenção de protegê-los nos Estados Unidos e no México.
Alternativas e Sustentabilidade
Ortiz defende alternativas mais sustentáveis, como o 5-MeO-DMT sintético, que poderia ser extraído de certas plantas. Entretanto, muitos entusiastas insistem que as secreções do sapo têm propriedades únicas que não podem ser replicadas, embora Ortiz conteste essa afirmação, argumentando que as substâncias adicionais nas secreções são na verdade cardiotoxinas, sem efeitos benéficos para a saúde mental.
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