A tensão entre Rússia e Ucrânia se intensificou após declarações polêmicas do ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, que qualificou o governo ucraniano de “regime nazista”. A afirmação foi feita durante um evento em Moscou, onde Lavrov também defendeu a intervenção militar russa como uma ação de legítima defesa de acordo com a Carta da ONU.
Acusações sobre o governo ucraniano
Em seu discurso, Lavrov criticou tanto o ex-presidente Petro Poroshenko quanto o atual, Volodymyr Zelensky, acusando-os de proferirem “declarações desumanizadoras” contra falantes da língua russa. Ele reiterou que a Rússia atuou em defesa própria, citando o Artigo 51 da Carta das Nações Unidas, que trata do direito à autodefesa.
“Nós, a Federação Russa, os reconhecemos e, diante da contínua agressão do regime nazista de Kiev, com o apoio do Ocidente, intervimos em sua defesa… O Ocidente se recusou a acatar esses artigos da Carta”, declarou o ministro.
Ataques a civis e críticas à ONU
Lavrov também acusou as forças ucranianas de realizar ataques contra civis na região de Kursk, na Rússia, alegando que lojas e escolas foram alvos intencionais. Ele ainda criticou o secretário-geral da ONU, António Guterres, por supostamente ignorar os princípios da Carta da ONU e focar apenas na integridade territorial da Ucrânia.
O ministro russo alertou que o Ocidente pretende transformar a Ucrânia em um “território ocupado”, com a presença de tropas estrangeiras e leis que poderiam proibir o uso da língua russa.
Impasses nas negociações
- Moscou endurece o discurso, enquanto Kiev pressiona por novas sanções. Zelensky afirmou estar disposto a se reunir com Vladimir Putin e Donald Trump sem pré-condições, mas rejeitou a ideia de que esse encontro ocorra em Moscou.
- Putin, por sua vez, condiciona uma reunião a “resultados tangíveis” e continua sua ofensiva até que a Ucrânia aceite demandas, como a neutralidade e a definição do futuro do Donbass.
- O cenário continua no impasse diplomático, com bombardeios frequentes e o risco de expansão do conflito além das fronteiras ucranianas.
Escalada do conflito e ofensivas aéreas
As declarações de Lavrov vêm em um momento de crescente tensão no conflito, marcado por uma grande ofensiva aérea russa em 7 de setembro. A operação incluiu o uso de mais de 800 drones e 13 mísseis atingindo a capital ucraniana, Kiev, e danificando edifícios governamentais.
Desde então, o governo ucraniano descreveu os ataques como “um crime deliberado”, destacando a gravidade da situação atual. As tensões também se intensificaram após drones russos invadirem o espaço aéreo da Polônia, gerando uma resposta da NATO e aumentando as preocupações sobre uma possível expansão do conflito.
Além disso, países como França e Reino Unido estão discutindo o envio de uma força internacional de monitoramento em caso de um cessar-fogo, proposta que foi rejeitada por Moscou.
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