O governo da República Dominicana anunciou, nesta terça-feira (30/9), que não convidará Cuba, Nicarágua e Venezuela para a 10ª Cúpula das Américas, programada para os dias 4 e 5 de dezembro em Punta Cana. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, a decisão visa assegurar a maior participação possível de países no encontro.
“As três nações, por diferentes razões, decidiram não aderir à OEA [Organização dos Estados Americanos] e não participaram da última edição da Cúpula das Américas. A não convocação favorece, dadas as circunstâncias hemisféricas, a maior participação e assegura o desenvolvimento do fórum”, afirmou a chancelaria em comunicado.
Cuba, Nicarágua e Venezuela já haviam sido excluídas da edição anterior da cúpula, realizada em Los Angeles em 2022. A ausência desses países gerou protestos e levou alguns líderes, como Andrés Manuel López Obrador, do México, Luis Arce, da Bolívia, e Xiomara Castro, de Honduras, a boicotarem o evento.
Cúpula das Américas: Contexto e Implicações
- A Cúpula das Américas foi estabelecida pelos Estados Unidos em 1994, com o objetivo de reunir líderes do continente para discutir integração política e econômica.
- Na ocasião da sua criação, Washington apresentou a proposta da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), destinada a eliminar gradualmente barreiras ao comércio e investimentos na região.
- A decisão da República Dominicana de repetir a exclusão dos três países, em alinhamento com a postura de Washington, poderá reacender tensões relacionadas à representatividade no fórum.
Justificativa da República Dominicana
Segundo o governo dominicano, anfitrião da cúpula, a prioridade foi garantir o sucesso do evento em um cenário de “polarização política” no continente. “Decidimos priorizar o sucesso da reunião, estendendo o convite ao maior número possível de países”, destacou o comunicado oficial.
O governo ressaltou que a coordenação da Cúpula das Américas pela OEA impõe restrições específicas à participação. Além disso, lembrou que, em outros fóruns multilaterais realizados no país — como a Cúpula Ibero-Americana de 2023 e a Cúpula da CELAC em 2017 —, Cuba, Nicarágua e Venezuela foram convidados e participaram.
Relações Diplomáticas em Equilíbrio
Apesar da exclusão, o governo do presidente Luis Abinader enfatizou a manutenção de relações distintas com os três países. Com Cuba, os laços são considerados “sólidos e excelentes”, regidos por um “respeito mútuo”. A relação com a Nicarágua é classificada como “cordial” e com um comércio equilibrado.
Em relação à Venezuela, o comunicado sublinhou os laços históricos, mas lembrou que a República Dominicana não reconheceu a legitimidade das últimas eleições presidenciais no país, o que levou Caracas a suspender as relações diplomáticas com Santo Domingo.
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