A adesão do Governo do Paraná ao programa de redução da carga tributária sobre o óleo diesel foi recebida como um alívio pelo setor agropecuário do Estado. A medida, publicada nesta terça-feira, 31 de março de 2026, atende parcialmente a um pedido do Sistema FAEP, que vinha buscando alternativas para reduzir os efeitos da alta do combustível no meio rural.
Segundo a proposta, os governos estadual e federal vão dividir um subsídio de até R$ 1,20 por litro de diesel importado, com R$ 0,60 de cada parte. A iniciativa ocorre em meio ao aumento dos custos provocado pelos reflexos da guerra no Oriente Médio.
Subsídio ao diesel importado pode aliviar custos no campo
De acordo com a Secretaria da Fazenda do Paraná (Sefa), o impacto estimado da medida é de cerca de R$ 77,5 milhões por mês aos cofres estaduais.
O Paraná é atualmente o terceiro maior importador de diesel do Brasil, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais. Para o Sistema FAEP, a decisão representa um passo importante para amenizar a pressão dos custos sobre os produtores rurais.
O presidente da entidade, Ágide Eduardo Meneguette, afirmou que a medida ajuda a reduzir os efeitos da disparada do combustível, embora o cenário ainda exija atenção.
Segundo ele, relatos de sindicatos rurais apontam que, em algumas regiões, o litro do diesel chegou a R$ 7,80, acima dos R$ 5,50 praticados antes do início do conflito.
Alta do diesel afeta máquinas agrícolas e frete da produção
O impacto do diesel vai além do abastecimento de veículos. No campo, o combustível é essencial para o funcionamento das máquinas e equipamentos usados na produção.
Atualmente, cerca de 73% da energia utilizada no meio rural tem origem em combustíveis fósseis. Já fora da porteira, o peso no transporte também é expressivo: o diesel responde por aproximadamente 40% do custo do frete para o escoamento da produção agropecuária.
Esse cenário pressiona diretamente os custos do setor, que já convive com margens apertadas e despesas elevadas de produção.
Sistema FAEP também defende redução do ICMS
Além do subsídio ao diesel importado, o Sistema FAEP segue em diálogo com a Secretaria Estadual da Fazenda para discutir uma possível redução do ICMS sobre o diesel.
Segundo Meneguette, essa seria outra medida relevante para diminuir os impactos do aumento do combustível tanto para os produtores quanto para a população paranaense durante o conflito.
Entidade apoia aumento da mistura de biodiesel
Paralelamente à discussão sobre tributos e subsídios, o Sistema FAEP também atua em outras frentes ligadas à segurança energética.
No dia 11 de março, a entidade assinou, junto com outras organizações do setor, o manifesto “Pela Elevação da Mistura de Biodiesel como Estratégia de Segurança Energética e Desenvolvimento Nacional”, elaborado pelo Instituto Pensar Agropecuária (IPA).
A proposta defende o aumento da mistura obrigatória de biodiesel no diesel de 15% para 17%.
Já no dia 25 de março, o Sistema FAEP encaminhou um ofício à deputada estadual Maria Victoria, segunda secretária da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), solicitando que esse percentual seja ampliado para 20%.
Medidas buscam reduzir dependência do diesel no Paraná
Na avaliação da entidade, o aumento da mistura de biodiesel pode contribuir para reduzir custos, fortalecer a segurança energética e acelerar a transição para fontes renováveis no campo.
A proposta também busca diminuir a dependência do diesel na agricultura e na pecuária, em um momento de forte pressão sobre os combustíveis e sobre os custos do setor produtivo paranaense.
